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Blog do Noblat - 22 anos

1º e 2º turnos nas eleições presidenciais do Brasil (por Ricardo Guedes)

Analisar depois é fácil. O difícil é prever antes do ocorrido.

09/10/2026 11:35, atualizado 09/10/2026 12:10
Arte Metrópoles
Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL) com o prédio do STF ao fundo

Lula perdeu o 1º turno por duas razões:

A primeira, de caráter mais estrutural, diz respeito à economia e forma de governar neste mandato. Com relação à economia, ela não vai bem. O PIB do Brasil encontra-se estancado em cerca de US$ 2,2 trilhões desde 2010; a linha econômica neste mandato não funcionou, sem desenvolver o país; os preços dos alimentos e dos bens básicos são percebidos pela população como muito altos comparados a anos atras; 82% das famílias brasileiras encontram-se endividadas em situação de inadimplência; e há uma crise fiscal “contratada” para 2027. “It is the economy, stupid”, na frase de James Carville durante a campanha de Clinton para explicar as variações eleitorais. Ao contrário do Lula 1 e Lula 2, quando Lula fez um governo de coalizão com parte significativa do Centro político e econômico, no Lula 3 o governo foi estritamente partidário, perdendo o centro político no final do 1º Turno. Lula hoje encontra-se com avaliação negativa de seu governo, o que dificulta suas perspectivas eleitorais.

A segunda, de caráter mais conjuntural, prende-se à crise do STF. Esse foi o gatilho da virada para Flávio Bolsonaro neste 1º turno. Na véspera destas eleições, em jantar em casa de amigos com grupo empresarial, vi isto ocorrer, com muita indignação por parte daqueles que redefiniam os seus votos. O movimento tornou-se forte nas urnas, e quando um movimento começa é difícil de arrefecer a curto prazo. Hoje, o Governo tornou-se refém da oposição no que tange a possíveis soluções para o STF a curto prazo.

Trump deu uma sobrevida a Lula com as tarifas fazendo com que o centro se unisse em torno do governo para a defesa de seus interesses. O que Trump deu de um lado, a crise do STF tirou do outro, o centro evadindo de Lula no final do 1º turno na direção de Flávio Bolsonaro.

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Observe-se que o percentual de abstenção, brancos e nulos no 1º turno de 2022 foi de 25,36%, no 2º turno de 2022 de 25,02%, e neste 1º turno de 2026 de 25,16%. As diferenças entre esses percentuais não justificam as alterações de voto ocorridas neste 1º turno de 2026.

Esta é a eleição do “menos pior”, na guerra das rejeições, como indicam as Pesquisas Quantitativas e Qualitativas, e ao sabor da sequência dos escândalos que possam vir a se suceder. É o voto na certeza de um governo ineficaz contra o voto temerário na incerteza, da falta de experiência e possíveis rupturas da ordem institucional, assim indicado nas Pesquisas. Embora hoje as eleições neste 2º turno estejam um pouco mais favoráveis para Flávio Bolsonaro, o quadro geral ainda é de indefinição, ou de baixa previsibilidade.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus