A toga que doma o império (e a birra) de Trump
Com o tarifaço derrubado, Trump descobre que o poder absoluto era apenas um delírio de campanha. A lei acordou?
atualizado
Compartilhar notícia

Donald Trump achou que a democracia americana era um reality show onde ele poderia demitir as instituições com um tuíte ou uma canetada autoritária. Enganou-se. O presidente dos EUA finalmente encontrou um freio: a Justiça.
Depois de brincar de Deus com tabelas de tarifas abusivas, punindo países conforme o seu humor matinal, o bilionário começa a sentir o peso do equilíbrio entre os Poderes.
A história se repete, com sotaque diferente. O que acontece hoje em Washington é o que vimos em Brasília: quando o Executivo tenta atropelar a Constituição em nome de uma suposta “vontade direta do povo” via redes sociais, cabe aos tribunais colocar o autoritário no seu devido lugar.
Foi o STF quem segurou as rédeas de Bolsonaro; agora é a Suprema Corte americana que tenta salvar o que resta da maior democracia do mundo.
Trump é vingativo, todos sabemos. Ele não engole o freio sem tentar morder a mão de quem o segura. Mas os primeiros sinais de fragilidade já apareceram. O seu projeto de “tarifaço” insustentável, que ameaçava a ordem mundial, começa a derreter. Ele recua no Brasil por interesse mineral, recua na justiça por falta de alternativa.
A dúvida agora é se Trump aceitará as regras do jogo ou se tentará virar o tabuleiro. O vírus do autoritarismo ainda circula, mas o antídoto finalmente começou a ser aplicado.


