Toga com data de validade: O desejo de Alckmin
Alckmin trocou a cautela habitual pela defesa direta do fim da “Corte Eterna”
atualizado
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Geraldo Alckmin, o homem da cautela e dos gestos medidos, resolveu dar o que os jornalistas chamam de “lide” no pé da entrevista. Sem que ninguém lhe perguntasse diretamente, o vice-presidente aproveitou os minutos finais de sua fala na GloboNews para soltar um torpedo em direção ao prédio do outro lado da Praça dos Três Poderes: é hora de acabar com a vitaliciedade para ministros do Supremo Tribunal Federal.
A proposta de Alckmin é simples na teoria, mas explosiva na prática: estabelecer mandatos fixos. Hoje, a regra permite que um ministro permaneça na Corte até os 75 anos, o que, dependendo da idade de ingresso, pode significar décadas de poder ininterrupto. O vice argumenta que o modelo de mandato renovaria a oxigenação do país e permitiria que outros juristas prestassem seus serviços ao Estado. É a defesa de uma reforma do Judiciário que deixe de ser um tabu.
É claro que a fala não cairá bem no tapete vermelho do Supremo. Afinal, quem, no auge do poder e com a proteção da toga, aceitaria trocar a estabilidade vitalícia por um prazo de validade?
Esse movimento de Alckmin pode ser mais do que uma opinião pessoal, é o balão de ensaio de uma reforma que, embora polêmica, terá de ser enfrentada se o país quiser rediscutir o equilíbrio entre os poderes.


