A semana em que Lula venceu e o bolsonarismo perdeu
O saldo de Brasília é claro: o governo colhe os louros enquanto a oposição queima os próprios fusíveis.
atualizado
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O escândalo do Banco Master não está apenas destruindo reputações, está redesenhando, à força, o mapa da sucessão presidencial. Enquanto o clã Bolsonaro pratica o descolamento com Ciro Nogueira, Tarcísio de Freitas e Romeu Zema assistem ao incêndio de camarote, cientes de que a queda do “vice dos sonhos” abre caminho para um pragmatismo mais limpo e eleitoralmente mais viável. Se Ciro virou assombração, os governadores de São Paulo e Minas são o quê?
Mas o jogo não é apenas da oposição. Enquanto o centrão espuma contra o “timing” da Polícia Federal, Paulo governistas ganham uma vitrine positiva diante do eleitor.
O contraste da semana salta aos olhos: de um lado, a elite do Poder enrolada em explicações sobre banqueiros e diárias em Nova York. Do outro, nomes que buscam descolar-se do cheiro de enxofre das “emendas por encomenda”. A fritura de Ciro por Flávio Bolsonaro não é apenas um ato de conveniência, é um movimento tático de quem percebeu que o peso do aliado ficou insuportável para quem ainda sonha com a rampa do Planalto.
No balanço final, até o momento, o governo sorri com a desordem alheia e colhe os louros de uma semana vitoriosa, enquanto a direita tenta desesperadamente trocar de figurino no meio do tiroteio.
A política prova, mais uma vez, que o herdeiro mais perigoso é sempre aquele que espera o aliado cair para ocupar o seu lugar. Venceu Lula na agenda positiva, perderam Ciro e o bolsonarismo que agora se finge de estranho no ninho.


