A palavra de Moraes contra o celular de Vorcaro
Onde o conteúdo se apaga, a dúvida ganha corpo: o confronto entre o relatório da PF e a negativa oficial do ministro.
atualizado
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Segundo revelou a jornalista Malu Gaspar, a Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registros de diálogos com o ministro Alexandre de Moraes.
O detalhe: mensagens de visualização única, enviadas às 22h do dia da prisão do banqueiro, quando ele tentava embarcar para Dubai. A leitura da matéria em questão abre um grande espaço para a dedução de que Vorcaro soube de sua prisão e avisou o ministro – ou o consultou.
A reação de Moraes foi negar, por meio de sua assessoria, ter recebido as mensagens, classificando a notícia como uma “ilação mentirosa” para atacar o Supremo. O problema desse episódio é que, onde o conteúdo se apaga, a dúvida ganha corpo.
Como explicar que um juiz da Suprema Corte e um investigado apareçam em registros de mensagens que se autodestroem?
Uma coisa é peitar golpistas e salvar a democracia, o que Moraes fez com coragem e deixou o país grato. Outra, bem diferente, é aparecer em relatórios policiais mantendo contatos que o próprio magistrado afirma não terem ocorrido. O reconhecimento histórico não coloca ninguém acima da lei, muito menos acima da conduta que o cargo exige. Se as mensagens existiram e foram apagadas, a transparência foi para o ralo.
A se confirmar esse envolvimento, deixamos o campo da suposição para entrar no terreno dos fatos irrefutáveis. Não se trata apenas de provar crime, mas de investigar a fundo o que os registros apontam.
No “trono” do Judiciário, a pergunta que fica é: se não houve nada, por que apagar?


