A irritação de Moraes com os ataques ao STF por “políticos sem votos”
Moraes reage após ofensas a ministros e ao STF e afirma que usam a instituição como escada eleitoral
atualizado
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O ministro Alexandre de Moraes subiu o tom. Visivelmente irritado, ele denunciou o que chama de instrumentalização do Judiciário como “escada eleitoral”. Para Moraes, políticos que não têm o que apresentar em termos de projetos para o país usam a agressão aos ministros para ganhar likes e, consequentemente, votos.
O pior de tudo, segundo ele, não é a ofensa à instituição, mas a ofensa à inteligência do eleitor.
No entanto, é preciso ir além da superfície. A irritação de Moraes é compreensível, mas o Supremo também precisa olhar para o próprio umbigo. O desgaste da Corte não caiu do céu, ele é alimentado por comportamentos que não pegam bem na opinião pública. Casos que envolvem ligações de ministros com instituições financeiras ou o fato de parentes de magistrados advogarem para partes interessadas criam uma zona cinzenta que a política sabe explorar com maestria. Não há ilegalidade explícita, mas há um desconforto ético que vira combustível para o haterismo digital.
A estratégia da direita e da extrema-direita é clara: desmoralizar o Supremo para faturar politicamente. Enquanto a esquerda admite que a Corte precisa de atualizações, a direita quer sangue. O objetivo final não é apenas o grito nas redes sociais, mas a formação de uma maioria no Senado capaz de abrir processos de impeachment ou, no mínimo, reformar o tribunal à força – seja criando mandatos fixos ou aumentando o número de cadeiras para diluir o poder dos atuais ocupantes.
O Supremo tentou correr com os julgamentos do 8 de janeiro para evitar que o tema contaminasse o ano eleitoral de 2026, mas acabou não dando certo. A Corte hoje é o grande personagem da campanha. É difícil encontrar um candidato de oposição ao Senado que não vá querer tirar proveito desse desgaste.
O STF salvou a democracia em momentos críticos, mas agora enfrenta o desafio de sobreviver a uma guerra onde o tribunal não é o juiz, mas o alvo preferencial.


