A Fábrica de Cortes: O Fim Melancólico da CPMI
O desfecho de uma comissão que serviu apenas como usina de vídeos para a militância
atualizado
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O encerramento da CPMI do INSS é o retrato acabado do cinismo político que domina Brasília. A comissão chegou ao fim de forma melancólica após o Supremo Tribunal Federal (STF) impor uma derrota ao ministro André Mendonça, decidindo que o Judiciário não poderia prorrogar o colegiado “no grito”.
Sem o tempo extra que planejavam para fustigar o governo até as eleições, a cúpula da CPMI partiu para o tudo ou nada.
O ponto mais vergonhoso desse desfecho é a contradição escancarada do senador Carlos Viana (Podemos-MG). Embora o relatório final peça o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, o próprio Viana admitiu publicamente não ter provas de que ele tenha qualquer responsabilidade sobre as fraudes no INSS.
É o “indiciamento por convicção”, uma peça de ficção jurídica que serve apenas para alimentar a militância digital.
Enquanto tentava queimar o filho do presidente, Viana viu o fogo chegar ao próprio gabinete. Reportagens revelaram que o senador destinou milhões de reais.em emendas para uma fundação ligada à Igreja da Lagoinha. O ministro Flávio Dino já cobra explicações, sugerindo que o presidente da CPMI usava o cargo para blindar aliados enquanto mirava adversários.
O saldo final é um “tiro no pé” monumental. O que deveria ser uma investigação séria sobre o roubo de aposentadorias de idosos – esquema que remonta ao governo anterior -.foi desvirtuado em um circo político.
Ao final, a CPMI não entrega justiça aos aposentados, mas sim um relatório frágil que, por falta de base técnica, caminha a passos largos para a gaveta.


