A ética seletiva pune três mas perdoa o motim inteiro

Suspender mandatos por 60 dias é o gesto de timidez de uma Câmara que teme enfrentar o radicalismo

atualizado

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados encenou mais um daqueles teatros que só Brasília sabe produzir. Depois de meses de espera, decidiu suspender por meros 60 dias os mandatos de Marcel van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS). O crime? Ocuparam a Mesa Diretora por 30 horas, em agosto do ano passado, num motim autoritário para impedir que o “minúsculo” Hugo Motta sentasse na cadeira de presidente. O grito era um só: ou vota a anistia para os golpistas, ou não se vota nada.

Pelas imagens, vê-se uma turba de deputados da direita obstruindo o trabalho legislativo, mas a “mão pesada” da ética só alcançou três. É a punição para inglês ver. Ao escolher bodes expiatórios em vez de enfrentar a desordem coletiva, a Câmara finge que pune para, na verdade, salvar a pele da maioria.

E o risco de impunidade é real e imediato. Os três mosqueteiros do atraso já podem recorrer ao plenário. Conhecendo o pântano onde pisam, a tendência é clara: os colegas devem lavar as mãos e absolver o trio. É o corporativismo gritando mais alto que o decoro (e a democracia).

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