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Antes de eu ser mãe, as minhas poucas experiências com home office foram mais ou menos assim: eu acordava, não muito cedo; tomava um café com torradas e frutas; escovava os dentes; colocava uma roupa confortável e ia para a frente do computador. E o trabalho fluía. E, mesmo quando não fluía, estava tudo sob controle, eu podia comer uma besteira, tirar um cochilo e voltar para o batente com calma.

Corta para o momento atual.

Eu estou em frente a computador, de pijama, cabelo sujo e desgrenhado, um dos seios para fora e o outro, vazando. Ao meu lado, o bebê dá um sorriso toda vez que eu o olho, mas se contorce na cadeirinha e reclama, como quem diz: “Não acredito que você vai me deixar aqui!”. Da sala, eu ouço “Mamããããe! Mamãããããe!!! Eu queio descer com a mamãe!”. Claro que hoje, justo hoje, ninguém mais serve. E começa o berreiro. São 11h36 e eu ainda nem escovei os dentes.

Adeus, processo criativo. Adeus, entrega no prazo.

Home office de mãe é a coisa que melhor ilustra aquele famoso meme de internet expectativa X realidade. No mundo ideal, você acorda bem-disposta, dá café da manhã para as crianças, brinca um pouco com elas, terceiriza tranquilamente os cuidados, senta para trabalhar e consegue concluir boa parte das tarefas antes do meio do dia. Na vida real, nada sai como o planejado.

Você acorda querendo estar morta, o bebê decide que não vai cochilar, o mais velho derruba comida no chão, tudo vira briga. Você apela: “Filhinho, pelo amor de Deus, a mamãe precisa trabalhar.” Mas eles, obviamente, não se sensibilizam. Socorro.

Missão (im)possível
Se, por um lado, trabalhar de casa representa uma vantagem para muitas mães – afinal, dá para ter o horário flexível e participar mais da criação dos filhos – por outro, gerenciar o tempo com crianças pequenas se torna um desafio diário. “Muitas mulheres são as principais responsáveis, quando não as únicas, pelo cuidado da casa e dos filhos. Isso torna o empreendedorismo materno ainda mais difícil”, comenta Camila Conti, uma das criadoras do Maternativa, uma rede de mães empreendedoras.

Camila afirma que, para dar certo, é preciso investir na organização da rotina. Ela, por exemplo, trabalha enquanto o filho está na creche e depois das 21h, quando o menino dorme. “Percebo que as mulheres realmente precisam dessa organização, caso contrário, não conseguem trabalhar mesmo”, diz.

Além disso, é importante o engajamento da família. “Muitas mulheres que decidem empreender são vistas como quem está ‘brincando’ de trabalhar e não são levadas a sério. Por conta disso, ficam desestimuladas e acabam desistindo”, lamenta Camila. Assim, ter o apoio do companheiro ou companheira e de parentes próximos é fundamental para que as mães continuem com seu trabalho – seja ele empreendedor ou como freelancer.

Por aqui, existe apoio, mas a organização da rotina ainda é um obstáculo, uma vez que meu filho mais velho não vai para a creche. Com frequência, apelo para personagens infantis hipnotizantes ou para o tablet – o que, aliás, tem criado mais um problema. “Eu queio o auPad!” é umas das frases mais ouvidas aqui em casa (mas isso é assunto para outro post).

Outra solução tem sido deixar tudo para o silêncio da madrugada. Até a hora que o sono do bebê permitir, é claro.

Maternidade
 


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