Projeto Mamas&Manas quer fortalecer a “tribo urbana” de mães
A maternidade é uma experiência solitária. Por mais que você tenha a sorte de contar com a sua mãe, seu companheiro ou suas amigas, vai acabar ficando os primeiros meses da nova jornada meio entocada em casa, com o corpo tomado de hormônios e a cabeça cheia de dúvidas. Depois de um tempo, você ganha prática, se acostuma […]
atualizado
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A maternidade é uma experiência solitária. Por mais que você tenha a sorte de contar com a sua mãe, seu companheiro ou suas amigas, vai acabar ficando os primeiros meses da nova jornada meio entocada em casa, com o corpo tomado de hormônios e a cabeça cheia de dúvidas. Depois de um tempo, você ganha prática, se acostuma à nova função, mas as dúvidas… ah, essas nunca cessam, pelo contrário. Vão mudando e se tornando mais complexas conforme os filhos crescem.
Foi pensando nisso que as amigas Tatiana Sabadini e Luanda Fonseca criaram o projeto Mamas&Manas. “Queremos consolidar uma rede de acolhimento para as mães, para que elas possam desabafar, expor seus problemas, sem medo de julgamentos”, explica Tatiana, mãe de três (duas meninas gêmeas e um menino).
O Mamas&Manas realiza workshops presenciais uma vez ao mês, com temáticas específicas, e vai promover cursos e outros eventos voltados para as mães do DF. A proposta, segundo as idealizadoras, é aproximar as mulheres, para que possam contar umas com as outras.
“Na nossa cultura, estamos muito afastadas. Queremos resgatar isso, essa ideia de comunidade. Se, em muitos lugares, a criação dos filhos depende de toda a tribo, vamos criar essa tribo”, diz Tatiana. O próximo workshop Mamas&Manas será no domingo (15/5), com um tema delicado, porém importantíssimo: o sexo depois da maternidade.
O poder do desabafo
Quando eu participei do primeiro encontro promovido pelo projeto, há cerca de um mês, expus um dos meus atuais dilemas maternos: o uso da chupeta. Já li muito material sobre os riscos da utilização do acessório – problemas de dicção, dentição, atraso na fala e desmame precoce, entre outros – e, via de regra, sou contra. Meu primeiro filho não usou, mas veio o segundo, eu não ganhei outro par de braços e, voilà, recorri ao bico. Para minha consternação, o caçula gostou e eu fico me sentindo uma mãe fajuta toda vez que o vejo com a chupeta na boca.
Contei essa história para as mulheres que participaram da roda naquele dia e recebi olhares de compreensão e cumplicidade. Não entramos no debate específico, ninguém ficou repetindo argumentos contra o bico, tampouco se esforçando para fazer com que eu me sentisse melhor – isso os mil fóruns de internet já fazem. Mas ver aquelas mães me ouvirem e também falarem sobre suas maiores preocupações fez com que eu saísse de lá mais leve, me sentindo uma mãe “normal”.
“A gente pretende acolher todo mundo. Tudo bem se você fez um parto humanizado domiciliar, mas tudo bem também se fez uma cesárea. A maternidade é feita de escolhas, não vamos usar o projeto para impor as nossas”, reforça Tatiana. “A gente já é julgada o tempo todo, aqui não será mais um lugar para isso.” Que essa tribo cresça e possa ganhar cada vez mais integrantes!
Serviço
Workshop Mamas & Manas – Sexo
Domingo, 15 de maio, às 14h30
Informações: mamasemanas@gmail.com.






