O que é ser sionista e por que Tarantino usou o termo ao falar sobre Israel
Quentin Tarantino mora em Israel há cinco anos e tem se aproximado cada vez mais da vida política do país
atualizado
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A fala de Quentin Tarantino em meio à guerra em Gaza voltou a colocar o termo “sionista” em discussão. Em entrevista ao Canal 12, de Israel, Daniella Pick, esposa do diretor, contou que ele tem lidado com a rotina de tensão em Tel Aviv com tranquilidade e afirmou, em conversa privada com ela, que “se alguma coisa acontecer, morrerá como sionista”.
A frase repercutiu porque o termo carrega forte carga política e histórica e seu uso varia conforme o contexto.
Origem do sionismo
O sionismo surgiu no fim do século 19 entre judeus europeus que buscavam uma saída para o aumento do antissemitismo no continente. A proposta era criar um Estado judeu que funcionasse como um refúgio seguro diante das perseguições frequentes à população judaica.
A ideia ganhou força após o Holocausto e serviu de base para a criação do Estado de Israel, em 1947. O nome faz referência ao Monte Sião, uma das colinas de Jerusalém e símbolo da ligação histórica do povo judeu com a região.
Por que o termo divide opiniões
Hoje, o sionismo não é interpretado de forma homogênea. Ao longo do tempo, diferentes grupos passaram a enxergar o movimento de formas muito distintas.
Para quem apoia o sionismo, ele é uma forma de garantir proteção e autodeterminação ao povo judeu. Ou seja, é visto como a ideia de um Estado seguro para judeus, um lugar onde eles podem viver sem medo de perseguição — especialmente considerando séculos de antissemitismo e o Holocausto. Para esses defensores, é um movimento nacional e até cultural, que fortalece a identidade judaica.
Para os críticos, o sionismo é percebido como uma ideologia colonial porque, na visão deles, a criação e expansão de Israel ignorou ou prejudicou os palestinos que já viviam na região. Nesse sentido, o movimento não seria apenas sobre proteção judaica, mas também sobre dominação territorial — o que alimenta o conflito que continua há décadas entre israelenses e palestinos.
Relação de Tarantino e Israel
Morando em Israel desde 2020, Tarantino tem se aproximado cada vez mais da vida política do país. Desde o início da ofensiva israelense em Gaza, em outubro de 2023, o diretor tem aparecido ao lado de militares e chegou a visitar uma base das Forças no sul do país, gesto que viralizou.
Segundo Daniella Pick, o cineasta não cogita deixar Tel Aviv para voltar aos EUA, mesmo com a escalada do conflito. A frase sobre “morrer como sionista” foi, segundo ela, uma forma de expressar o vínculo que ele afirma ter desenvolvido com Israel e seu apoio ao Estado.
A declaração repercutiu porque o termo é politicamente carregado e associado tanto à criação de Israel quanto às críticas às suas ações na Palestina.








