“Que a condenação seja a máxima”, diz mãe de Letícia Curado, vítima de serial killer

Júri de Marinésio da Silva começa hoje em Planaltina. O réu pode ser condenado a 40 anos de prisão por homicídio quintuplamente qualificado

atualizado 21/06/2021 11:57

Imagens cedidas ao Metrópoles

Familiares de Letícia Sousa Curado de Melo acompanham o julgamento de Marinésio da Silva Santos, réu pelo homicídio quintuplamente qualificado da mulher. Os parentes querem justiça em nome da advogada e de outras vítimas do maníaco. Caso Marinésio seja condenado, a pena pode ultrapassar 40 anos de reclusão.

A mãe de Letícia Curado, Kenia Sousa, afirmou ao Metrópoles que a expectativa é de que o julgamento seja justo e que Marinésio não tenha chance de retornar ao convívio com a sociedade. “Que os jurados tenham a comoção que todos tiveram quando a advogada desapareceu e foi encontrada morta. Que a condenação seja a máxima possível, e ele não volte a causar sofrimento a outras famílias”, ressaltou.

Letícia tinha 26 anos quando acabou morta ao reagir a uma tentativa de estupro de Marinésio, em 2019. A advogada era funcionária terceirizada do Ministério da Educação e deixou um filho de 3 anos. Após a prisão do maníaco, foram identificadas outras 18 vítimas de Marinésio.

De acordo com a mãe da advogada, o julgamento do assassino é esperado por todos. “A condenação é o desfecho de uma luta. O culpado é um indivíduo perverso e desumano, que um dia após matar minha filha seguia sua rotina levando aparelhos para uma festa de aniversário em família. Só nos resta lutar por justiça, porque o que mais queríamos não é mais possível, que era Letícia viva”, lamentou Kenia.

Em setembro de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou Marinésio pelo homicídio quintuplamente qualificado de Letícia. Como qualificadoras, a Promotoria de Justiça apontou feminicídio, motivo torpe, meio cruel, dissimulação e crime praticado para assegurar impunidade de outro delito. Ele também responde por tentativa de estupro, furto e ocultação de cadáver.

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Luto

“Eu ainda não encontrei o meu lugar neste mundo sem a Letícia”, desabafou a mãe da vítima. Kenia conta que as duas eram muito ligadas, unidas e dividiam o amor por direito, justiça e estudos.

Depois de quase dois anos da morte de Letícia, Kenia percebeu que sentiria a dor da perda para sempre. “Hoje, eu não sofro mais. Sinto a minha dor como dói uma ferida aberta. Suportei a dor do parto. Agora, suporto a dor da perda.”

Letícia sonhava em ser promotora de Justiça e estava na escola do MPDFT para fazer o concurso dos sonhos. “Era o melhor momento da vida dela. O meu sonho de ser mãe de uma promotora de Justiça acabou sendo realizado, porque, mesmo de forma trágica, inesperada e sofrida, ela acabou promovendo justiça”, destacou Kenia.

Para a família, o julgamento fará parte da história que Enzo Gabriel, 5 anos, filho de Letícia Curado, conhecerá quando crescer. “Ele vai saber que a morte da mãe trouxe não só dor para nós, mas vitórias. Vai saber que a mãe é um símbolo de luta, garra, determinação e justiça. Ele é nosso acalento, a sementinha de amor que Letícia deixou aqui para lutar por tudo que ela acreditava”, ressaltou a mãe da advogada.

Entenda o caso

Em 23 de agosto de 2019, por volta das 8h, entre o Vale do Amanhecer e a DF-230, o réu abordou Letícia em uma parada de ônibus e ofereceu carona. Quando ela estava dentro do carro, Marinésio tentou forçá-la a ter relações sexuais. Letícia recusou-se e reagiu. Marinésio, então, esganou a vítima, que morreu asfixiada.

Ele escondeu o cadáver dentro de uma manilha às margens da rodovia e furtou pertences da vítima: um relógio, um pen-drive, uma nécessaire e um aparelho celular. Os objetos foram apreendidos dentro do veículo quando ele foi preso em flagrante.

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