Pai de vítima de feminicídio no DF: “É muita dor”

Cícero José de Oliveira diz que tenta reunir forças para criar filhos deixados por Camila. Um deles é um bebê de 4 meses

Cícero José de Oliveira, pai de Camila de Oliveira, vítima de Feminicídio no DFJacqueline Lisboa/Especial para o Metrópoles

atualizado 04/03/2020 18:52

Cícero José de Oliveira (foto em destaque), 65, enterrou a filha, nesta quarta-feira (04/03), no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga. Camila de Oliveira, 33, foi encontrada morta na tarde de segunda-feira (03/03) em um matagal no Recanto das Emas. É a sexta vítima de feminicídio no Distrito Federal neste ano.

O pai disse que, agora, é tentar seguir em frente para cuidar da educação dos filhos de Camila. “Agora é criar e educar. Têm os dois que a gente precisa olhar, fora o bebê de 4 meses, nosso xodó”, afirmou Cícero.

Segundo ele, a filha era dependente química. “É muita dor. Ela estava como dependente química. Se não tivesse entrado no mundo das drogas, não teria morrido tão nova”, acredita Cícero.

Irmão da vítima de feminicídio, Daniel Araújo disse que ninguém próximo sabia do relacionamento de Camila com o homem apontado como principal suspeito de cometer o crime. “Há um ano e quatro meses, ela terminou com o pai do último filho dela e estava tocando a vida. Agora que apareceu esse outro aí que ninguém sabe quem é”, ressaltou. “Ela não fazia mal a ninguém“, acrescentou.

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O advogado Roani Prado, amigo da família, vai acompanhar o caso. “Já pedi ao Ministério Público para ser assistente de acusação e ajudar no processo”, disse, no velório de Camila.

Roani chegou a conversar com as amigas de Camila que estavam com ela no dia do crime. Segundo conta, a vítima e o suspeito tiveram casos esporádicos, mas nada sério. “Elas estavam bebendo juntas e viram o homem por lá”, explicou.

Para o advogado da família, no entanto, ainda há várias pontas soltas. “Estamos aguardando o exame de DNA do sangue da jaqueta e já está constatado que havia indícios de esperma no local. Queremos ver o que aconteceu na cena do crime”, afirmou.

Outra suspeita da família é a de que outras pessoas estejam envolvidas. “Principalmente por causa do local (às margens da BR-060) onde o corpo foi encontrado. É uma localização muito difícil de se chegar e deixar sozinho”, ponderou.

Investigação

De acordo com o delegado-chefe da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), Pablo Aguiar, que investiga o caso, um casal relatou à PCDF que a vítima sofreu ameaça de morte do suspeito. Entretanto, Camila não registrou ocorrência para se proteger do namorado.

“Informaram ter encontrado com ela por volta das 3h da madrugada (de segunda-feira) e que ela comentou que iria vê-lo. Apuramos que ele disse, em outra ocasião, que a mataria com pedradas na cabeça”, explicou Aguiar.

Ele confirmou que, após o relato, agentes da 27ª DP estiveram na residência do suspeito e identificaram sangue em uma jaqueta que ele usava. “Com a ameaça, as informações fornecidas por testemunhas e vestígios na roupa pedimos a prisão em flagrante do autor”, garantiu o delegado.

O autor, que já estava cumprindo pena em regime domiciliar, foi autuado por feminicídio. Caso seja condenado, pode pegar até 30 anos de prisão. O delegado disse que não há indícios da participação de outras pessoas no crime.

 

 

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