Metrópoles faz palestra sobre feminicídio em 15 escolas do DF

Os encontros aconteceram durante a Semana Educação para a Vida em uma parceria com a Secretaria de Educação

Jacqueline Lisboa/MetrópolesJacqueline Lisboa/Metrópoles

atualizado 07/11/2019 19:24

O Metrópoles encerrou, nessa semana, as visitas às escolas públicas do Distrito Federal. Em parceria com a Secretaria de Educação, a equipe do portal passou por 15 colégios para conversar com os alunos sobre violência contra a mulher durante a Semana Educação para a Vida. A iniciativa faz parte do projeto Elas por Elas que se propôs a contar, durante o ano de 2019, as histórias de todas as mulheres vítimas de feminicídio em Brasília.

As rodas de conversa começaram em maio e em cada edição um grupo de especialistas mostrou para os adolescentes quais comportamentos são tóxicos em relacionamentos amorosos. Os jovens também foram subsidiados com informações práticas sobre como agir caso sejam testemunhas ou vítimas de agressões domésticas. Além disso, entre os tópicos discutidos estavam machismo, protagonismo feminino, legislação de proteção à mulher, rede de apoio às vítimas, responsabilização dos agressores e ciclo da violência.

“Sentíamos a necessidade dessa discussão nas escolas por conta dos altos números de feminicídio no Distrito Federal.  A legislação nos orienta e nos obriga educar os alunos sobre o combate à violência contra mulheres”, explica Aldenora Macedo, responsável pela Gerência de Educação em Direitos Humanos e Diversidade (GDHD). O órgão convidou juízes, promotores, políticos, defensores, advogados, policiais e educadores para conversar com o estudantes das 14 regionais de ensino.

O programa sensibilizou toda a rede escolar e, por isso, em 2020 vai continuar sendo executado em outros colégios. “Estamos ainda finalizando a construção de uma Orientação Pedagógica de Empoderamento Feminino e Combate ao Machismo a ser disponibilizada para os unidades de ensino do DF”, conta Aldenora.

Segundo a professora da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em questões de gênero, Valeska Zanello, é importante falar sobre machismo nas escolas. “Em sala de aula podemos prevenir a violência doméstica e ensinar aos meninos formas menos competitivas de masculinidade” afirma. Para especialista, a educação tem poder transformador e garante uma sociedade democrática.

Simultaneamente às palestras, a secretaria também organizou atividades culturais. A rapper Débora Glamurosa cantou em todas as escolas e cada unidade de ensino organizou uma apresentação. No CEM 08 Gama, por exemplo, as alunas preparam uma sessão de slam. Já no CED 04 Guará, a turma de teatro se reuniu para encenar um relacionamento abusivo.

As escolas visitadas também receberam grafites com mensagens sobre empoderamento feminino e sororidade. “Um dos nossos objetivos era fazer com que o Elas por Elas extrapolasse o nosso site e estivesse nas ruas, para que sensibilizasse mais pessoas”, conta Priscilla Borges, editora-executiva do Metrópoles.

Até sexta-feira (01/11/2019), 12.637 mulheres do DF já procuraram delegacias de polícia para relatar abusos, ameaças e agressões que vêm sofrendo por parte de maridos, companheiros, namorados ou pessoas com quem um dia se relacionaram. Já foram registrados 27 feminicídios. Com base em informações da PCDF, apenas uma pequena parte das mulheres que vivenciam situações de violência rompe o silêncio para se proteger.

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