Homem que agrediu mulher em piscina de Águas Claras será indiciado

O caso será encerrado nesta sexta-feira (22) e o suspeito vai responder por vias de fato no contexto da Lei Maria da Penha

atualizado

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O caso de agressão a duas mulheres filmado por uma moradora de Águas Claras será concluído pela Polícia Civil nesta sexta-feira (22/3). O suspeito e as duas vítimas foram identificados e intimados a depor. No entanto, até a manhã desta quarta (20) nenhum dos três havia comparecido à 21ª Delegacia de Polícia (Pistão Sul), responsável pelo inquérito.

“Mesmo sem os depoimentos, vamos encerrar o caso e indiciar o agressor por vias de fato no contexto da Lei Maria da Penha”, detalhou o delegado-chefe da 21ª DP, Luiz Alexandre Gratão. As investigações tiveram início após vídeo gravado da janela de um apartamento na noite de 7 de março, véspera do Dia Mundial da Mulher, circular pelas redes sociais.

Pelas imagens, é possível ver que as vítimas estão do lado de fora da piscina. Em certo momento, uma delas caminha até um vaso de plantas, enche a mão de terra e volta para jogar no homem. Após tentativa de contê-la, o agressor acerta uma cotovelada na mulher, que é a namorada dele. A amiga procura intervir na situação e também recebe um golpe.

A moradora que gravou o vídeo – enviado em primeira mão ao Metrópoles – contou que, antes de começar a filmar, o trio já vinha se agredindo verbalmente e desrespeitando regras do condomínio.

O prédio proíbe consumo de bebida alcoólica na piscina, mas isso não os impediu de levar uma caixa de isopor recheada de latas e garrafas. “Eles estavam claramente alcoolizados, falando muito alto, ouvindo música alta e se xingando. A minha enteada os viu brigando e disse que o homem estava batendo nelas. Foi quando eu comecei a filmar”, disse a pessoa responsável pela filmagem, que pediu para não ter o nome divulgado.

Ela acionou a Polícia Militar, mas, instantes antes de os PMs chegarem, o porteiro pediu para que os envolvidos se retirassem, e os três voltaram para o apartamento do primo do agressor.

Segundo a moradora, após retornar ao telefone 190, foi informada pelos atendentes que a vítima negou ter sido agredida, ao contrário do que mostra o registro feito por celular. Por essa razão, não foi registrada ocorrência em delegacia.

“Disseram que os policiais viriam e que era para eu passar o vídeo para eles, mas ninguém me procurou. A gente não pode aceitar ver isso como se fosse briga de casal”, desabafou a mulher.

Ação de despejo
Após a repercussão, a administração do condomínio informou que moveu uma ação de despejo contra o dono do apartamento que convidou os três.

“[A administração] vem a público a fim de esclarecer que repudia qualquer ato de violência nas dependências do prédio e zela pela boa convivência de seus condôminos”, ressaltou o residencial, por meio de nota. Ainda segundo os administradores, a ação do visitante, que terá a entrada barrada no condomínio, é de responsabilidade do morador que o convidou.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileira.

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