Filha de Admar Gonzaga sobre ex do ministro: “Ela se agrediu”

Advogada Fernanda Gonzaga disse que nunca teve uma boa relação com a ex-madrasta e negou as acusações feitas contra o ministro do TSE

atualizado 30/03/2019 14:46

Reprodução

Quase dois anos após o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga ser acusado de agredir a ex-mulher, a filha dele, Fernanda Gonzaga, de 24 anos, decidiu quebrar o silêncio. Segundo a advogada, Élida Souza Matos machucou a si mesma na noite em que registrou um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) contra o ex-companheiro.

O ministro foi denunciado pela ex-mulher em 23 de junho de 2017. Aos policiais, ela contou que o magistrado a agrediu durante uma discussão na propriedade do casal, no Lago Sul, causando-lhe um ferimento no olho. No dia seguinte, no entanto, Élida tentou retirar a queixa, mas, como a Lei Maria da Penha não permite, o processo continuou a tramitar.

Fernanda relata uma história diferente da que foi informada à polícia. Ao Metrópoles, a filha de Admar Gonzaga afirmou que, naquela noite, a madrasta teria sido autora e vítima da ação. Além disso, detalhou uma relação difícil com a mulher.

“Não tinha uma relação de afeto, mas tinha uma convivência. O jeito como ela me tratava me fazia mal, mas eu queria conviver com o meu pai”, afirmou.

A advogada conta que, na noite em que foi relatada a agressão, a família Gonzaga estava reunida na casa de Admar para comemorar o aniversário de Fernanda. Durante a celebração, ele e Élida começaram a discutir. “Ela se agrediu, estava agressiva. Nós tínhamos chegado da casa de uma amiga e ela passou a noite provocando o meu pai”, afirmou Fernanda.

Para a filha do ministro, o suposto comportamento de Élida estava relacionado ao fato de não ter sido convidada para a formatura da advogada, marcada para o dia seguinte. “Ela não era bem-vinda na casa da minha mãe e tentou de toda forma atrapalhar a ida do meu pai à comemoração”, justificou a jovem.

No dia seguinte ao episódio, uma nova agressão teria ocorrido, dessa vez contra a matriarca da família. “Ela empurrou a minha avó paterna, que tem mais de 80 anos”, disse. Fernanda contou que nos últimos dois anos de relacionamento com Admar, Élida teria ficado mais agressiva. “Meu pai tem uma marca no braço esquerdo de faca. Foi ela”, acusou. Apesar do relato da filha, Admar nunca procurou a delegacia para denunciar a ex-companheira.

“Ela sugou tudo o que podia e precisava sair dessa história como vítima. Até hoje, recebe 10 salários mínimos. Está muito claro que fez por dinheiro. Minha mãe ficou 21 anos casada, teve dois filhos com ele e não recebe nada”, comparou a advogada. “Estamos premiando a falta de compromisso com a verdade, um fato que está prejudicando uma família inteira, colocando em risco a liberdade do meu pai, isso é muito sério”, prosseguiu.

Confira trechos da entrevista de Fernanda Gonzaga ao Metrópoles:

 

Silêncio para evitar revitimização
O Metrópoles procurou Élida Souza Matos para que contasse sua versão dos fatos e pudesse se pronunciar sobre as acusações feitas por Fernanda Gonzaga. Sua defesa disse que ela não se manifestaria.

Como o processo corre em sigilo, a advogada Renata Amaral, que defende a ex-companheira de Admar Gonzaga, afirmou que prefere falar somente em juízo. Segundo ela, o objetivo é evitar uma revitimização – que é o sofrimento continuado da vítima de algum tipo de violência – de sua cliente. O espaço continua aberto a manifestações.

Testemunhas
A investigação da denúncia formulada por Élida incluiu o relato de uma testemunha que não presenciou a agressão, mas disse aos policiais ter ouvido gritos do ministro chamando a mulher de “vagabunda”.

Segundo ela, o homem dizia “quero que você saia de casa para eu te ver na sarjeta”. A pessoa afirmou que Admar Gonzaga era uma “pessoa controladora” e usava o “status de ministro para subjugar a vítima, que é dona de casa”.

Giovanna Bembom/Metrópoles
Admar Gonzaga e Élida Souza Matos na época de casados

 

Fernanda, contudo, sustenta que o ministro não é agressivo com ninguém da família. “Meu pai era muito carinhoso e presente. Ele construiu a casa dos pais dela [Élida] no interior da Bahia. Só fez o bem”, afirma a filha.

Foro privilegiado
Durante as investigações, o ministro do TSE apresentou defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que nega a agressão. O magistrado afirmou que apenas tentou se proteger da esposa e foi arranhado.

Por Admar Gonzaga ter foro privilegiado, o inquérito foi enviado ao STF e tem como relator o ministro Celso de Mello.

Em 13 de fevereiro, porém, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou à Corte que enviasse a denúncia de lesão corporal em decorrência de violência doméstica para a primeira instância.

O pedido de Dodge para que o processo seja encaminhado ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) tem base em decisão do STF, de maio de 2018, segundo a qual “o foro por prerrogativa de função se aplica apenas a crimes cometidos no exercício do cargo e em razão das funções a ele relacionadas”.

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