DF: vizinho de mulher espancada até a morte: “Tragédia anunciada”

De acordo com pessoas próximas a Renata Alves dos Santos, brigas entre o casal, que vivia em São Sebastião, eram constantes

André Borges/Especial para o MetrópolesAndré Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 04/11/2019 13:42

Dois dias após Renata Alves dos Santos, 26 anos, ser assassinada pelo companheiro, Edson dos Santos Justiniano Gomes, 43, em casa, o clima na rua onde o casal morava, na Quadra 19 do Residencial Morro da Cruz, em São Sebastião, é de revolta e tristeza.

Uma moradora da região, que preferiu não se identificar, disse que conhecia a mulher há 15 anos. “Eu não acredito que ele matou a minha amiga. A Renata devia ter denunciado e fugido. Ele era um homem trabalhador. Mas os dois brigavam muito e discutiam diariamente. Uma relação marcada por desrespeito e agressões de ambos”, afirmou.

A vizinha conta ainda que teve contato com a mãe da vítima, a testemunha ocular do crime, Judite Alves dos Santos, 68, no sábado (02/11/2019). “Ela foi levada daqui pela neta para resolver as questões de velório e sepultamento. No dia que veio ao imóvel, fui até lá. A cena era de terror. Muito sangue e sujeira. Uma tristeza”, apontou.

Outro vizinho, que mora em frente onde o casal residia, disse se tratar de uma tragédia anunciada. “Hora ou outra, um iria matar o outro. Eles brigavam alto aqui na rua. Já presenciamos correria, murros na cara. Na terça-feira [30/10/2019], ouvi eles brigando e um dizendo que iria matar o outro. Eles consumiam bebidas alcoólicas todos os dias”, afirmou.

Tio de Renata, Sílvio Alves dos Santos, 64, mora em um endereço a cerca de 300 metros do local do crime. Ele é irmão de Judite e relatou que já havia alertado mãe e filha sobre o comportamento de Edson. “Não era normal o jeito que eles se tratavam. Eu tentava dar conselhos, mas evitava ir lá. Nós estamos muito abalados. A minha irmã foi para a casa da neta dela. Não tem como voltar para cá depois de ter presenciado a morte da filha. Era jovem. Deixou dois filhos pequenos”, destacou.

A barbárie
O entregador de materiais de construção espancou a mulher até a morte, na noite de sexta-feira (01/11/2019). Edson teria levantado Renata, que já havia caído no chão, pelas orelhas da vítima e batido com a cabeça dela, diversas vezes, em uma mesa de mármore.

Ele foi detido em flagrante na residência onde vivia com esposa e a mãe dela, Judite Alves dos Santos, que presenciou o genro matar a sua filha. Ao ser levado para a 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), para prestar esclarecimentos, o homem, que estava embriagado, dormiu e não foi possível colher o depoimento dele.

A mãe da vítima relatou que o casal estava em um bar na noite de sexta (01/11/2019) e, quando eles chegaram em casa começaram a discutir. Ela disse à polícia que Edson desferiu socos no rosto e na cabeça de Renata, a enforcou e também bateu várias vezes com a cabeça dela em uma mesa de mármore.

Depois disso, a mulher caiu no chão e a mãe tentou reanimá-la. Jogou água e a filha não reagiu. Edson então ameaçou que se Judite o denunciasse, ele a mataria também. Pouco tempo depois, o agressor cochilou e Judite saiu em busca de socorro.

Um vizinho da família foi até a residência, viu Renata no chão e acionou o Corpo de Bombeiros. Ao chegarem ao imóvel, os militares encontraram a jovem sem vida. O agressor relatou à corporação que a esposa havia caído e batido com a cabeça na quina de uma mesa. Os militares constataram que ele apresentava sinais de embriaguez.

Segundo relatos de testemunhas à PCDF, o casal morava há mais de um ano e meio no endereço. O relacionamento seria marcado por brigas e agressões. Havia contra Edson dois boletins de ocorrência registrados.

Em um dos casos, no início de 2019, o homem teria queimado as costas de Renata, mas ela negou ter sido ele. Já em setembro deste ano, Edson teria batido na mulher e ela pediu socorro a uma vizinha. Com hematomas e sangramentos, na delegacia, a vítima teria desistido de registrar ocorrência e saiu da unidade policial sem passar por exame de corpo de delito. Também não pediu medidas protetivas.

O delegado plantonista Mikhail Rocha e Menezes disse ao Metrópoles que Judite contou que os dois se relacionavam há quatro anos.

“Nessa ocasião, Renata relatou ser sustentada por Edson e que não iria denunciar. Isso é muito comum em depoimentos de mulheres que sofrem violência. As vítimas dizem isso e não querem representar contra o autor”, comentou o delegado.

Edson chegou a ser preso em flagrante e encaminhado para o Departamento de Controle e Custódia de Presos, no Complexo da Polícia Civil. Em 24 de setembro, passou por audiência de custódia e ficou em liberdade.

Renata era dona de casa e tinha dois filhos, de 7 e 4 anos, de outros relacionamentos. As crianças moravam com os pais. Do casamento com Edson, não teve filhos.

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