Atacada com ácido por ex-marido, mulher recebe implante de pele no DF

Cácia Regina Pereira da Silva teve 45% do corpo queimado. Cirurgia durou quatro horas e foi realizada no Hospital Regional da Asa Norte

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atualizado 05/05/2019 14:41

Após ter 45% do corpo queimado ao ser atacada pelo ex-marido com ácido, Cácia Regina Pereira da Silva, 47 anos, passou por uma cirurgia de implante de pele humana nessa sexta-feira (03/05/2019). O procedimento, realizado no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), durou cerca de quatro horas.

Cácia teve ferimentos de terceiro grau na face, pescoço, colo, tórax e membros superiores. Após a tentativa de feminicídio, o agressor, Júlio César Santos Vila Nova, tirou a própria vida. O crime aconteceu no dia 25 de abril, em Sobradinho.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a pele humana é um curativo biológico usado temporariamente para preservar as áreas queimadas. O material pode ficar no paciente pelo período de sete a 15  dias. O enxerto definitivo é feito com o tecido retirado de outras áreas do corpo da própria vítima de queimaduras.

“A pele humana foi aplicada em todos os locais indicados, à exceção de algumas áreas, como a face, onde já iniciaremos a reconstrução definitiva na próxima semana, com matriz dérmica, uma espécie de pele artificial”, explicou José Adorno, chefe da Unidade de Queimados do Hran.

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No dia do crime, 25 de abril, Cácia estava em sua casa, localizada em Nova Colina, Sobradinho, quando sofreu as agressões. De acordo com pessoas próximas a ela, Júlio César conseguiu a chave da residência da ex-mulher e fez uma cópia sem que ninguém soubesse, o que aponta para um crime premeditado, na avaliação dos investigadores.

As câmeras registraram o momento em que ele chega ao local (foto em destaque) e desce do carro duas vezes. Na primeira, olha se tem alguém em casa. Na segunda, já com uma mochila nas costas, onde estaria o ácido, abre o portão da residência. Segundo o delegado plantonista da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), Wander Machado, o homem sabia que a filha do casal não estaria no local, outra situação que reforça a tese de premeditação.

Veja:

 

“Não falei que eu ia te matar?”, teria dito Júlio à vítima. “Se você não é minha, não vai ser de mais ninguém.” Em seguida, jogou ácido sulfúrico nos olhos de Cácia, momento em que ela começou a gritar por ajuda. Quando tentou atirar na ex com um revólver de calibre .32, os quatro disparos falharam, dando tempo para que ela fugisse até um bar, onde pediu socorro.

Em seguida, o homem atirou contra a própria cabeça e morreu. O casal tinha uma filha adolescente, de 13 anos, e estava separado havia mais de uma década. (Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal)

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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