Mulher com rosto queimado por ácido ainda aguarda UTI no DF

Cácia Pereira, 47 anos, está no Hran desde 25 de abril. Segundo a Secretaria de Saúde, ela será transferida assim que surgir vaga

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atualizado 01/05/2019 19:32

Em estado que inspira cuidados e com queimaduras de terceiro grau, a vítima de tentativa de feminicídio Cácia Regina Pereira da Silva, 47 anos, aguarda por uma vaga da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) há cinco dias. Ela teve o rosto queimado com ácido após ser atacada pelo ex-marido, Júlio César dos Santos Villa Nova, 55, na última quinta-feira (25/04/2019), em Sobradinho. Depois do ataque, ele se matou.

Na segunda-feira (29/04/2019), ela passou por uma cirurgia para retirada de pele morta da face, porém, é mantida na internação. Segundo informações da Secretaria de Saúde, o nome da paciente foi inserido na regulação, à espera de um leito na UTI. “Enquanto aguarda a transferência, a paciente recebe toda a assistência necessária ao quadro de saúde”, informou a pasta.

Por meio de nota, a Saúde explicou ainda que “as vagas para internação em leito de terapia intensiva são reguladas por meio do Complexo Regulador. A disponibilização dessas vagas para os pacientes ocorre de acordo com a prioridade clínica de cada caso”, diz o texto.

Ainda segundo a pasta, todos os casos são avaliados periodicamente e classificados na escala de prioridade. Também leva-se em conta o tipo de suporte de UTI necessário ao quadro clínico. “As vagas são ofertadas em rede, e não por unidade. Ou seja, a paciente será transferida para a primeira vaga que surgir, independentemente do hospital em que está internada.”

Cácia estava em sua casa, localizada em Nova Colina, Sobradinho, quando sofreu as agressões. De acordo com pessoas próximas a ela, Júlio César conseguiu a chave da casa da ex-mulher e fez uma cópia sem que ninguém soubesse, o que aponta para um crime premeditado, na avaliação dos investigadores.

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As câmeras mostram o momento em que ele chega ao local e desce do carro duas vezes. Na primeira, olha se tem alguém em casa. Na segunda, já com uma mochila nas costas, onde estaria o ácido, abre o portão da residência. Segundo o delegado plantonista da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), Wander Machado, o homem sabia que a filha do casal não estaria no local, outra situação que reforça a tese de premeditação.

“Não falei que eu ia te matar?”, teria dito Júlio à vítima. “Se você não é minha, não vai ser de mais ninguém”. Em seguida, jogou ácido sulfúrico nos olhos de Cácia, momento em que ela começou a gritar por ajuda. Quando tentou atirar na ex com um revólver de calibre .32, os quatro disparos falharam, dando tempo para que ela fugisse até um bar, onde pediu socorro.

Em seguida, o homem atirou contra a própria cabeça e morreu. O casal tinha uma filha adolescente, de 13 anos, e estava separado havia mais de uma década.

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