Asa Norte: vídeo mostra homem saindo sem pressa depois de matar mulher

Imagens foram registradas pelo circuito interno de segurança do Bloco E. O vendedor de carros foi preso após perseguição policial

Divulgação/PMDFDivulgação/PMDF

atualizado 28/01/2019 13:09

Depois de matar a mulher com pelo menos um tiro na cabeça e balear o filho três vezes, o vendedor de carros Ranulfo do Carmo, 74 anos, saiu pela portaria do Bloco E, da 316 Norte, sem demonstrar pressa. A roupa estava suja de sangue, ele entrou no carro, um Cross Fox branco, e fugiu da cena do crime.

As imagens foram registradas nesta segunda-feira (28/1), pelo circuito interno de segurança, e revelam que ele não estava correndo nem aparentava nervosismo.

Veja o vídeo:

 

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, Diva Maria Maia da Silva, 69 anos, foi atingida e morreu no local.

O filho, de 47 anos, foi levado em estado grave para o hospital. Ainda segundo informações preliminares do CBMDF, Regis do Carmo Correa Maia levou três disparos. O suspeito, Ranulfo do Carmo, 74, fugiu em um Cross Fox branco. Ele foi preso pela Polícia Militar na altura da Quadra 8 do Park Way (veja foto de destaque).

Vizinhos do casal e funcionários do prédio contaram que ele costumava agredir a mulher. O filho, que não morava no local, vinha com frequência justamente para proteger a mãe. Ele é técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Ao que tudo indica, houve uma grande discussão no apartamento que fica no primeiro andar. O homem disparou contra o filho e a mulher tentou defendê-lo, acabando morta. “É uma tragédia anunciada. Ela era uma coitada. O filho era maravilhoso, sempre defendia a mãe”, relatou uma testemunha.

O tenente Washington Romão, do Corpo de Bombeiros, disse que a mulher foi atingida na cabeça mais de uma vez. O filho foi atingido na região tronco abdominal. Ele teve uma hemorragia grave, que deixou a viatura cheia de sangue.

Veja fotos do local:

 

 

No Distrito Federal, foram registrados 519 casos de violência contra a mulher neste ano (dados até o dia 19/1). Em 2018, 27 mulheres morreram vítimas de feminicídio.

Neste ano, mais uma mulher morreu assassinada pelo marido: a dona de casa Vanilma Martins foi morta com golpes de faca no dia 5.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras. (Colaborou Rebeca Borges)

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