Veja como é a casa feita por mãe e filha com 8 mil garrafas de vidro
Com design único e iluminação natural, Casa de Sal revela beleza, técnica e resistência em cada parede construída por mãe e filha
atualizado
Compartilhar notícia

Por dentro da construção feita com oito mil garrafas de vidro reutilizadas, um universo de soluções criativas e afetivas se revela. Edna Dantas e sua filha, Maria Gabrielly, ergueram cada parede com as próprias mãos e uma técnica única: ao contrário de outras construções que usam garrafas deitadas, as delas estão posicionadas em pé. E essa escolha não foi por acaso.
“Usamos as garrafas na vertical porque aproveita melhor a claridade. A luz do sol atravessa o vidro e deixa a casa com uma iluminação natural belíssima. Além disso, gastamos menos material”, explica Edna.
Esse design próprio desenvolvido por mãe e filha une sustentabilidade, funcionalidade e beleza. As garrafas não estão ali só como estrutura: são parte da estética e da alma da casa. Quando o sol se põe, a luz atravessa o vidro colorido e transforma o interior em um mosaico vivo.
Confira detalhes da casa:
A Casa de Sal, localizada na lha de Itamaracá, litoral norte de Pernambuco, nasceu da urgência de ter onde morar, mas ganhou forma como projeto de vida, de arte e de resistência. “É a maior obra da nossa vida. Cada detalhe carrega nosso saber, nossa história. Eu, como mulher negra com mais de 50 anos, hoje sou realizada por morar na casa que construí com a minha filha”, diz Edna.
A obra começou com 17 metros quadrados feitos em três meses. Foi o suficiente para que as duas se mudassem para dentro e seguissem construindo aos poucos. O processo durou dois anos e resultou em uma casa com sete cômodos. As garrafas foram recolhidas na própria Ilha de Itamaracá, onde o descarte irregular é comum. “Transformamos lixo em dignidade. A casa traz beleza, mas também carrega denúncia”, afirma.
Mais do que moradia, a Casa de Sal é também um espaço de ecoturismo e de debate. Recebe visitantes interessados em vivências sustentáveis e promove conversas sobre racismo ambiental, descarte de lixo e autonomia em territórios tradicionais.
Agora, o desejo de Edna e Maria Gabrielly é levar esse modelo adiante. “A gente criou nosso próprio espaço porque ninguém chamou. E agora queremos inspirar outras pessoas a fazer o mesmo”, concluem.















