Veja 6 hábitos do dia a dia que podem prejudicar a saúde ginecológica
Especialista alerta que hábitos comuns, como o uso de roupas apertadas e higiene excessiva, desequilibram a flora vaginal
atualizado
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Escolhas aparentemente inofensivas da rotina feminina, que vão do tipo de vestimenta ao excesso de limpeza, podem ser gatilhos para infecções e desconfortos persistentes. Embora muitas dessas práticas sejam culturalmente aceitas e até incentivadas como sinônimo de higiene, elas frequentemente agridem a microbiota vaginal e alteram o pH da região.
Segundo Marise Samama, ginecologista e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), a falta de informação técnica ainda leva muitas mulheres a comprometerem a própria saúde íntima sem perceber.
Entenda
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Barreira natural: o uso de roupas sintéticas e protetores diários impede a ventilação, criando o ambiente ideal para a proliferação de fungos.
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Excesso de higiene: lavagens frequentes ou o uso de duchas vaginais removem bactérias protetoras e desregulam o pH ácido da região.
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Riscos da depilação: a remoção total dos pelos genitais eleva a temperatura local e reduz a defesa natural contra bactérias e odores.
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Automedicação: o uso indiscriminado de antifúngicos para tratar qualquer coceira pode mascarar doenças graves e agravar quadros de resistência.
O perigo do “abafamento” e das roupas sintéticas
O equilíbrio da região íntima depende diretamente da ventilação. O uso frequente de calças apertadas e tecidos sintéticos dificulta a respiração da pele, favorecendo a umidade. “Ambientes quentes e úmidos aumentam significativamente o risco de candidíase vulvovaginal”, explica Marise Samama. Estima-se que 75% das mulheres enfrentarão essa infecção ao menos uma vez na vida.
Nesse contexto, os protetores de calcinha diários, muitas vezes vistos como aliados, tornam-se vilões ao criar um sistema de “abafamento” contínuo. A recomendação da especialista é priorizar tecidos de algodão e, sempre que possível, dormir sem roupa íntima para permitir a recuperação da flora durante a noite.

Higiene: menos é mais
Um dos erros mais comuns é a busca por uma “limpeza impecável” através de duchas vaginais ou lavagens múltiplas ao dia. A ginecologista alerta que a vagina possui um mecanismo de autolimpeza e que a higiene externa deve ser feita com cautela, preferencialmente com sabonetes líquidos de pH ácido.
A depilação total também entra no radar de atenção. Os pelos funcionam como um isolante térmico e protetor do ecossistema local. A sua retirada completa pode causar ressecamento e aumentar a incidência de infecções urinárias e odores, uma vez que a flora composta por lactobacilos de defesa acaba prejudicada.

O risco do diagnóstico por conta própria
A automedicação é outro entrave para a saúde ginecológica. Ao sentir coceira ou notar corrimento, muitas mulheres recorrem a farmácias sem consulta prévia.
“Nem toda coceira é candidíase. O uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas de patologias mais sérias”, destaca a presidente da AMCR.
Além dos hábitos físicos, fatores sistêmicos como o estresse crônico e a má alimentação impactam o sistema imunológico, tornando o organismo mais suscetível a episódios recorrentes de infecção.

Prevenção e acompanhamento
A saúde íntima deve ser tratada de forma integral, unindo comportamento, vestuário adequado e acompanhamento médico regular. Para Marise, a consulta periódica é essencial mesmo na ausência de sintomas, garantindo que pequenas alterações sejam detectadas precocemente. “Conhecer o próprio corpo e entender o que realmente faz bem é fundamental para garantir qualidade de vida”, conclui a médica.
