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Turismo

Turismo de negócios supera R$ 11 bilhões e impacta lotação dos hotéis

Levantamento da Abracorp estima faturamento de R$ 14,3 bilhões em viagens corporativas no país este ano

12/08/2026 17:40, atualizado 12/08/2026 17:48
Foto: Pexels
Turismo de negócios supera R$ 11 bilhões e impacta lotação dos hotéis

Entre as diversas modalidades de turismo, uma tendência vem se destacando cada vez mais nos grandes centros do país: o segmento MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions), conhecido nacionalmente como turismo de negócios e eventos.

Essa vertente engloba tanto as viagens corporativas — profissionais que se deslocam para reuniões, prestação de serviços, visitas técnicas, negociações e outras atividades empresariais — quanto os eventos de negócios, como congressos, convenções, feiras e encontros científicos.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o setor de viagens corporativas no Brasil movimentou, de janeiro a outubro de 2025, R$ 11,6 bilhões. Ainda de acordo com a entidade, este ano o país deverá somar R$ 14,3 bilhões, um recorde histórico do ramo.

O segmento MICE, além de ser um importante motor econômico para os destinos turísticos, desempenha um papel vital no desenvolvimento urbano e na estruturação de serviços especializados. Nesse contexto, o setor de hotéis tem sido um dos mais impactados, com receita de R$ 321 milhões, segundo dados da Abracorp.

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O turismo de negócio gera demanda ao longo de praticamente todo o ano, independentemente dos períodos tradicionais de férias e feriados. Enquanto as viagens corporativas mantêm um fluxo constante de hóspedes, os grandes eventos produzem picos de ocupação em datas específicas, contribuindo para um calendário mais equilibrado.

Henrique Severien, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF)

Enquanto no lazer o viajante é motivado pelo descanso, diversão ou momentos em família e amigos; no turismo de negócios, as viagens são motivadas por conhecimento, conexões estratégicas e oportunidades de negócios.

Henrique explica que esse cliente tem necessidades diferentes, justamente por ter uma agenda mais intensa, com horários menos flexíveis.

“Os participantes de congressos, convenções e outros eventos de negócios valorizam a praticidade durante toda a estadia. Por isso, esse público busca, acima de tudo, eficiência. Internet de alta qualidade, processos ágeis de reserva, check-in e faturamento, ambientes adequados para trabalho, conforto, segurança e alimentação compatível com horários muitas vezes não convencionais”, relatou.

O presidente frisou que o investimento em tecnologia e o atendimento personalizado são indispensáveis.

“Além da conectividade, os espaços precisam ser mais funcionais para reuniões e trabalho. Ao mesmo tempo, o atendimento humano faz toda a diferença diante de qualquer imprevisto. O hóspede corporativo espera respostas rápidas, autonomia para a equipe resolver problemas e uma experiência eficiente do início ao fim da viagem”, complementa.

Estímulo para economia local

Os benefícios do turismo de negócios e eventos vão muito além do impacto no setor hoteleiro. Uma vez que visitantes utilizam transporte, frequentam bares e restaurantes, fazem compras, contratam serviços e, muitas vezes, aproveitam parte da permanência para conhecer os atrativos do destino.

Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a indústria de eventos de negócios representa 25% do turismo global e 49% dos visitantes internacionais no Brasil. Outro dado que chama a atenção é que os turistas de negócios gastam até três vezes mais do que os turistas de lazer.

Para o presidente da ABIH-DF, Brasília tem um potencial ainda mais evidente, pela localização estratégica, excelente conectividade aérea, ampla capacidade hoteleira e concentra órgãos públicos, entidades nacionais, embaixadas e instituições de ensino e pesquisa.

Quando a cidade reúne esses fatores, é possível estabelecer um fluxo permanente de viagens corporativas e a realização de eventos de negócios ao longo de todo o ano. O desafio é transformar esse visitante profissional também em consumidor da gastronomia, da cultura, da arquitetura e dos demais atrativos da capital, ampliando os benefícios para toda a cadeia do turismo.

Henrique Severien, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF)

Embratur

Para além do impacto econômico imediato, o turismo de negócios consolida o posicionamento do Brasil no cenário global. De acordo com o ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), o país ocupa a 13ª posição mundial entre os que mais sediaram eventos internacionais associativos em 2025, com 42 cidades brasileiras anfitriãs.

O ICCA é o principal índice global do setor de eventos, reconhecendo os destinos mais competitivos para congressos e eventos profissionais. Ainda de acordo com o ranking, o Brasil é o único país representante da América Latina entre os 13 primeiros colocados e ocupa o 3º lugar nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá.

O levantamento também aponta que, de 2022 a 2024, o Brasil subiu 10 posições, representando um incremento de 112% nos eventos internacionais promovidos no país. Já o gasto diário do turista de negócios, configura em torno de US$ 418,59.

O gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional da Embratur, Alexandre Nakagawa, afirma que o público participante desse segmento caracteriza-se, na maioria, por profissionais com maior poder aquisitivo.

“Esse perfil de consumo tem impulsionado uma tendência crescente no setor: o “bleisure”, modalidade que combina viagens corporativas com experiências de lazer. Ao estenderem sua estada no destino, os visitantes ampliam seus gastos e fortalecem a economia local”, ressalta.

Na opinião do gerente, o Brasil possui ampla diversidade de atrativos culturais e naturais, além de capacidade comprovada de sediar eventos de todas as magnitudes, com serviços de excelência e alinhamento com práticas sustentáveis.

“O grande desafio do país é diversificar a atração de eventos dos grandes centros urbanos brasileiros para outras regiões como o Norte e o Nordeste. Dessa forma é possível descentralizar o desenvolvimento por meio do turismo de negócios levando crescimento econômico para todo o país”, destaca.