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Sob pressão: chefs pedem mais respeito à saúde mental na profissão

Manifesto nas redes sociais denuncia abusos e pede dignidade na gastronomia, sobretudo na carreira como chef de cozinha

atualizado

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Parceria entre Senac DF, Aliança Nacional e Casa Rosa leva capacitação profissional a pessoas LGBTQIAPN+
1 de 1 Parceria entre Senac DF, Aliança Nacional e Casa Rosa leva capacitação profissional a pessoas LGBTQIAPN+ - Foto: Getty Images

Um vídeo publicado no Instagram do chef Franklin — vice-campeão do MasterChef Profissionais 5 — levantou uma discussão urgente e dolorosa: a saúde mental dos profissionais da cozinha.

Com mais de 40 mil visualizações e 1.700 comentários, o manifesto coletivo mobilizou chefs de todo o Brasil para expor a realidade por trás das portas de restaurantes.

“A depressão é uma dor que não sangra, mas dói em dobro”, diz o vídeo. A frase ecoou entre os profissionais, que relataram histórias marcadas pelo cansaço físico e emocional, pelo isolamento e pela falta de valorização.

“Como alguém que já passou por momentos difíceis, eu queria transformar minha experiência em força para que outras pessoas soubessem que não estão sozinhas”, afirma Franklin. “O manifesto nasceu desse desejo de estender a mão e mostrar que existe uma rede disposta a ajudar.”

A campanha, que ganhou força nas redes sociais, defende a regulamentação da profissão de cozinheiro e condições mais dignas de trabalho para todos que vivem da gastronomia.

O chef André Rochadel, colunista do Metrópoles, reforça que a situação não é nova — e tampouco simples de mudar.

“O cargo de cozinheiro é extremamente estressante. Quanto mais você sobe, mais responsabilidades carrega, e o ambiente segue insalubre: calor excessivo, risco de cortes, queimaduras, jornadas que passam de 12 horas em pé. Você ganha quando os outros estão comemorando, então perde aniversários, feriados, datas importantes. E tudo isso por salários muito baixos. O topo de carreira, na maioria dos casos, mal passa dos quatro dígitos”, afirma Rochadel.

Para ele, a saúde mental é impactada não apenas pela carga física, mas pela pressão constante por resultados.

“Tem essa cultura de que o cozinheiro precisa gritar, que é normal o chefe ser explosivo. Isso é romantizado em reality shows, mas, na vida real, machuca. Além disso, somos avaliados o tempo todo por pessoas que não entendem do nosso trabalho, o que muitas vezes resulta em punições dentro da equipe. É um ciclo muito pesado”, reforça.
Chef de cozinha
A saúde mental é impactada não apenas pela carga física, mas pela pressão constante por resultados

A chef Izabela Dolabela — participante da 1ª edição do MasterChef Profissional — também engajada no movimento, compartilha da mesma visão.

“A cozinha é um ambiente tóxico. Vemos na TV aquele glamour, mas na prática o que existe é gritaria, abuso de poder, assédio e sobrecarga. É um trabalho muito perigoso, mental e fisicamente. Estamos sempre no limite. E, sim, já perdemos colegas para a depressão, para doenças relacionadas ao estresse. A gente precisa falar sobre isso. Já passou da hora.”

O manifesto publicado por Franklin resume a urgência do debate: “Esse manifesto é por todos que foram e por todos que ainda estão aqui. Não dá mais para ficarmos parados enquanto os nossos se vão, aos poucos. Juntos, somos mais fortes.”

chef de cozinha
Muitos chefs perdem o vínculo com amigos e familiares, acumulam estresse e desenvolvem transtornos como ansiedade, depressão e burnout

Rotina leva até a casos de burnout

Muitos profissionais relatam que, com a rotina caótica, perdem o vínculo com amigos e familiares, acumulam estresse e desenvolvem transtornos como ansiedade, depressão e burnout. O perfil perfeccionista e resiliente, muitas vezes, mascara a dor até que seja tarde demais.

“O equilíbrio na cozinha vai além da técnica. É espiritual, emocional e físico. É preciso tempo para todas as coisas”, diz um trecho do manifesto.

O movimento não pede privilégios: pede humanidade. Pede que a paixão pela gastronomia possa conviver com limites saudáveis, com descanso justo e com respeito. A cozinha que tanto alimenta o mundo também precisa de cuidado — e agora é a hora de ouvir quem vive dentro dela.

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