Sergio Camargo: professora da Unicamp exalta legado do grande escultor
Exposição no DF realizada pelo Metrópoles revisita a carreira e a trajetória internacional do escultor brasileiro Sergio Camargo

Considerado um dos maiores escultores brasileiros de todos os tempos, Sergio Camargo tem sua obra revisitadas em exposição no Distrito Federal. É Pau, É Pedra…, realizada pelo Metrópoles, fica em cartaz até 13 de março no Teatro Nacional. Com carreira marcada pelo reconhecimento internacional, especialmente na Europa, o artista construiu uma produção centrada na abstração, na investigação rigorosa da forma e no diálogo entre luz, sombra e matéria.
Transparência – Projeto É Pau, É Pedra – Sergio Camargo

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- Sergio Camargo é um dos principais escultores brasileiros do século 20.
- Ele foi premiado nas Bienais de Paris e São Paulo nos anos 1960.
- Sua linguagem se baseia na abstração geométrica com foco na forma, não na figuração.
- O destaque são relevos de madeira pintados de branco, com forte efeito visual.
Sergio Camargo ocupa um lugar singular na história da arte brasileira. Embora seja contemporâneo dos concretistas e neoconcretistas, sua obra não se filia diretamente a nenhum desses movimentos. Segundo a professora Maria de Fátima Morethy Couto, do Instituto de Artes da Unicamp, o artista compartilha afinidades conceituais e pessoais com nomes como Lygia Clark, mas desenvolveu um caminho próprio, marcado por uma reflexão autônoma sobre a forma abstrata.
No início da carreira, Camargo produziu esculturas figurativas em bronze, com destaque para figuras femininas de volumes arredondados.
Essa fase, no entanto, rapidamente deu lugar a uma pesquisa cada vez mais abstrata. “A preocupação dele passa a ser muito mais com a forma enquanto linguagem do que com a figuração”, explica a professora. Essa transição marca o amadurecimento de um pensamento plástico que acompanharia o artista ao longo de toda a vida.

Grande parte dessa consolidação ocorre na França, onde Camargo viveu por cerca de 13 anos, entre 1961 e 1974. Foi nesse período que conquistou projeção internacional, recebendo, ainda jovem, o prêmio da Bienal de Paris, em 1963, aos 33 anos.
Dois anos depois, foi consagrado como melhor escultor na Bienal de São Paulo. “Esse prêmio em Paris é um ponto de inflexão na carreira dele”, afirma Maria de Fátima.
Na década de 1960, o artista também representou o Brasil em eventos de peso, como a Bienal de Veneza e a Documenta de Kassel, na Alemanha. Seus trabalhos passaram a integrar importantes coleções públicas internacionais, como a Tate Gallery, em Londres, que adquiriu uma de suas obras ainda nos anos 1960 — um indicativo da sólida circulação internacional de sua produção.
O auge de seu reconhecimento no mercado está associado aos relevos abstratos em madeira, pintados de branco. Compostos por pequenos blocos cortados e dispostos em diferentes direções, esses trabalhos exploram intensamente o jogo de luz e sombra. “Não é a cor que cria o efeito, mas a forma como a madeira é cortada e organizada”, destaca a professora. Pensados para a parede, esses relevos transitam entre pintura e escultura, reforçando a tridimensionalidade.
Além das galerias, Sergio Camargo também realizou obras de arte pública, incluindo um mural no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e encomendas monumentais na França. Após retornar ao Brasil em 1974, por razões familiares, o artista manteve o prestígio crítico e passou a trabalhar com mármore branco e negro, em esculturas de diferentes escalas.
Reservado e avesso à exposição pessoal, Camargo construiu uma trajetória pautada pela consistência formal e pela qualidade do trabalho. Sua fortuna crítica está amplamente documentada no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), em São Paulo, que reúne correspondências, textos e registros sobre sua carreira — um acervo raro no contexto brasileiro.
Falecido em 1990, Sergio Camargo permanece atual. “É um respeito sólido, que se mantém no tempo”, resume Maria de Fátima. Para ela, a exibição de sua obra para novas gerações é fundamental para compreender um artista que pensou a escultura como investigação rigorosa da forma e conquistou reconhecimento duradouro no Brasil e no exterior.
Exposição É Pau, É Pedra…
A exposição É Pau, É Pedra… do escultor Sergio Camargo, segue em cartaz até 13 de março, no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro. Promovida pelo Metrópoles, a mostra conta com cerca de 200 obras separadas em núcleos — um convite para o público compreender a coerência e a amplitude da pesquisa do artista.
O projeto reafirma o compromisso do Metrópoles com a difusão e valorização da cultura brasileira em suas múltiplas expressões.
Ao ocupar um espaço de alta relevância simbólica e arquitetônica, a mostra amplia o diálogo entre arte contemporânea, memória cultural e vida urbana, consolidando o veículo como um agente ativo na promoção de experiências culturais na capital federal.
A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
ServiçoExposição É Pau, é Pedra…, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles
Visitação de 10 de dezembro a 13 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
De quarta-feira a segunda-feira, das 12h às 20h (terça-feira fechado para manutenção do Teatro)



























