Sergio Camargo no DF: entenda a linguagem singular do escultor
Distante de movimentos artísticos específicos, escultor desenvolveu linguagem própria baseada na investigação rigorosa da forma
atualizado
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Embora seja contemporâneo dos artistas concretistas e neoconcretistas, o escultor Sergio Camargo não pode ser diretamente associado a esses movimentos. “Ele é dessa geração no sentido temporal, mas não é possível dizer que ele seja um artista concretista ou neoconcretista”, explica Maria de Fátima Morethy Couto, professora do Instituto de Artes da Unicamp. O artista é centro de uma exposição inédita realizada pelo Metrópoles, e em cartaz, gratuitamente, até 13 de março no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro.
Transparência – Projeto É Pau, É Pedra – Sergio Camargo
Segundo a professora Maria de Fátima, a trajetória do escultor é marcada por uma mudança rápida da figuração para a abstração. “No início, ele faz esculturas em bronze, figuras femininas arredondadas, mas na sequência já passa para um trabalho com características muito mais abstratas”, afirma. Essa transição indica, desde cedo, o interesse do artista pela forma enquanto linguagem.

Essa preocupação se consolida nos chamados relevos abstratos em madeira, suas obras mais conhecidas. “São pedaços de madeira cortados em diferentes direções e pintados de branco”, descreve a pesquisadora. Para ela, o impacto visual dessas peças está no jogo de luz e sombra.
“Não é pela cor, mas pelas direções em que esses toquinhos de madeira são cortados e juntados.”

Maria de Fátima destaca que esses relevos ocupam um lugar singular entre a escultura e a pintura. “Eles são pensados para serem expostos na parede, como uma pintura, mas têm uma tridimensionalidade muito forte”, explica, reforçando o caráter experimental da produção de Camargo.
Após seu retorno ao Brasil, o escultor ampliou a pesquisa de materiais. “Ele passa a trabalhar com mármore branco e depois com mármore negro, em trabalhos de pequenas e grandes dimensões”, afirma a professora. Além das obras de ateliê, Camargo também realizou esculturas de caráter público e monumental, tanto no Brasil quanto na França.
Exposição É Pau, É Pedra…
A exposição É Pau, É Pedra… do escultor Sergio Camargo, segue em cartaz até 13 de março, no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro. Promovida pelo Metrópoles, a mostra conta com cerca de 200 obras, que estão separadas em núcleos — um convite para o público compreender a coerência e a amplitude da pesquisa do artista.
A realização da exposição reafirma o compromisso do Metrópoles com a difusão e valorização da cultura brasileira em suas múltiplas expressões. Ao ocupar um espaço de alta relevância simbólica e arquitetônica, o projeto amplia o diálogo entre arte contemporânea, memória cultural e vida urbana, consolidando o veículo como um agente ativo na promoção de experiências culturais na capital federal.
A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Serviço
Exposição É Pau, é Pedra…, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles
Visitação de 10 de dezembro a 13 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional. Diariamente, das 12h às 20h

























