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“Pulmão de pipoca”: uso de vapes ameaça saúde de adolescentes e jovens

Doença pulmonar grave, associada ao uso contínuo de cigarros eletrônicos, os vapes, pode causar danos irreversíveis

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jogue o cigarro eletrônico no lixo, mão estendida com o cigarro eletrônico na frente da lata de lixo, conceito de danos dos cigarros eletrônicos e vapes
1 de 1 jogue o cigarro eletrônico no lixo, mão estendida com o cigarro eletrônico na frente da lata de lixo, conceito de danos dos cigarros eletrônicos e vapes - Foto: Nikolay Ponomarenko/Getty Images

A popularidade dos cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, tem despertado alertas na comunidade médica. Um dos perigos mais graves ligados ao uso frequente dos vapes é a bronquiolite obliterante — uma doença inflamatória grave, progressiva e sem cura, que atinge as vias aéreas mais finas dos pulmões. Conhecida como “pulmão de pipoca”, a condição compromete severamente a respiração e pode deixar sequelas irreversíveis.

Essa doença ganhou notoriedade no início dos anos 2000, após casos entre trabalhadores de fábricas de pipoca para micro-ondas expostos ao diacetil — um aromatizante artificial de sabor amanteigado. O composto, banido de vários produtos alimentícios nos EUA, voltou ao centro das atenções por estar presente em muitos líquidos usados nos vapes.

Como a doença se manifesta?

A bronquiolite obliterante causa cicatrizes nos bronquíolos, impedindo a passagem adequada do ar. Os sintomas mais comuns incluem tosse seca persistente, chiado no peito, fadiga e falta de ar progressiva. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com asma ou DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), o que pode atrasar o diagnóstico e agravar o quadro.

O grande desafio está no fato de que os sintomas não respondem bem aos tratamentos convencionais, e o único recurso médico possível é o controle paliativo: aliviar os sintomas e tentar frear a progressão da doença. Não há cura.

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O que torna o vape tão perigoso?

Apesar de frequentemente vendido como uma alternativa “menos nociva” ao cigarro tradicional, o cigarro eletrônico não é inofensivo. Os riscos aumentam de acordo com o tempo de uso, a frequência das tragadas e a composição dos líquidos vaporizados — muitos deles não regulamentados e com fórmulas desconhecidas. Entre os ingredientes, o diacetil continua sendo um dos principais vilões.

Estudos mais recentes apontam para um número crescente de casos entre jovens usuários de vape. O fator preocupante é que a doença pode se desenvolver de forma silenciosa, sem sinais evidentes nos estágios iniciais.

Prevenção: parar é o melhor remédio

Embora a bronquiolite obliterante não seja um tipo de câncer, os especialistas são unânimes ao comparar a gravidade de seus efeitos: os danos pulmonares podem ser tão incapacitantes quanto os de uma neoplasia avançada. A recomendação continua sendo clara — a única forma segura de se proteger é interromper o uso de cigarros eletrônicos o quanto antes.

Enquanto o apelo estético e os sabores dos vapes continuam atraindo o público jovem, os riscos invisíveis acumulam estatísticas preocupantes. Para a saúde dos pulmões, o alerta é simples, mas urgente: o vape pode custar caro — até mesmo a capacidade de respirar.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida

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