Paixão azul: idosa viraliza com coleção de itens do time do coração
Gaúcha de 75 anos tem coleção de acervo intacto do Grêmio; psicóloga explica como o colecionismo atua como âncora emocional na maturidade
atualizado
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A conquista do 44º título gaúcho pelo Grêmio, após o empate em 1 a 1 contra o Internacional no Beira-Rio, em Porto Alegre, neste domingo (8/3), não foi celebrada apenas nas arquibancadas. Em Rio Pardo (RS), a vitória consolidou o sentimento de Cleonice Carvalho Pires, de 75 anos, cuja vida se mistura à história do clube. Com uma coleção com mais de 200 objetos que atravessa três décadas, Cleonice transforma o fanatismo em um acervo preservado, onde itens de uso cotidiano ganham status de relíquia e jamais saem da embalagem.
Entenda
- Herança familiar: a paixão nasceu no convívio com pais e tios, marcada por memórias de choro e alegria durante as transmissões dos jogos.
- Acervo intacto: há 30 anos, ela coleciona de cartazes a faqueiros e canecas, mantendo a maioria dos itens lacrados para preservar a história.
- Peças favoritas: o destaque de sua coleção são os registros de títulos mundiais e cartazes históricos que narram as glórias tricolores.
- Sonho de consumo: apesar da vastidão do acervo, a colecionadora ainda busca uma miniatura do Estádio Olímpico para completar sua galeria.
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Uma vida em azul, preto e branco
Para Cleonice, o Grêmio é definido em uma palavra: paixão. A torcedora recorda que o futebol sempre foi o elo de sua família em Rio Pardo.
“Todo mundo olhava o jogo do Grêmio em casa e no estádio. Tenho um tio que, quando o time perdia, chorava muito, e a gente chorava junto com ele”, relembra.
Essa intensidade migrou para os objetos. Diferente de colecionadores que utilizam seus brindes, Cleonice adota um rigor técnico: o item que entra para a coleção perde a função utilitária para se tornar memória física. “Tenho faca, faqueiro, prato, caneca, cuia… nem tiro da embalagem”, revela a idosa, que vê em cada peça uma extensão das vitórias que o clube acumula em campo, como a deste último Gauchão.
A neta Kathussa Taborda também tem ajudado a dar visibilidade à coleção ao divulgá-la em seu perfil no Instagram. Em uma série de vídeos publicados na rede social, ela apresenta os itens um a um, enquanto a avó participa contando a história por trás de cada peça. Nos registros, as duas aparecem conversando de forma descontraída, relembrando momentos e explicando como cada objeto foi adquirido ou por que se tornou especial ao longo dos anos. A iniciativa tem despertado curiosidade dos seguidores, que acompanham os relatos e detalhes da coleção.
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O colecionismo como âncora emocional
O comportamento de Cleonice encontra explicação na psicologia. Segundo a psicóloga Cibele Santos, o ato de colecionar na maturidade transcende o acúmulo de objetos, funcionando como um suporte para a saúde mental.
“Para uma pessoa de 75 anos, cada item funciona como um gatilho de memória. O objeto colecionável serve como uma ‘ponte’ entre o presente e momentos de pertencimento e identidade”, explica a especialista. Cibele destaca três benefícios principais desta prática:
- Senso de propósito: a organização e o cuidado com a coleção geram uma rotina estimulante, combatendo a apatia do envelhecimento.
- Combate à solidão: ser “a colecionadora” confere um papel social e conecta o indivíduo a uma comunidade maior, como a torcida gremista.
- Regulação emocional: olhar para o acervo reduz níveis de ansiedade. “As vitórias do time se misturam às vitórias da própria vida”, pontua a psicóloga.
O peso da tradição
Enquanto o Grêmio encurta a distância histórica de títulos estaduais em relação ao Internacional — agora com 44 conquistas contra 46 do rival —, a coleção de Cleonice também segue em expansão. Para ela, cada novo troféu levantado pelo “Imortal” é um motivo a mais para manter viva a chama de um acervo que, mais do que plástico e metal, guarda a história de uma família inteira.
