OMS define o que é o bem-estar materno e lança guia de boas práticas

A definição oficial do que é o bem-estar materno pelo órgão de saúde é fundamental para mudar a forma como o mundo encara a maternidade

atualizado

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Foto de mulher gestante sentada no chão com calça laranja - Metrópoles
1 de 1 Foto de mulher gestante sentada no chão com calça laranja - Metrópoles - Foto: Catherine Falls Commercial/ Getty Images

Embora seja amplamente comentado entre grupos de mães, grávidas e profissionais da saúde envolvidos no cuidados com as gestantes, puérperas e bebês, o bem-estar materno anda não tinha uma definição oficial. Somente no ano passado a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou o conceito por meio da publicação de um guia, o Compendium on respectful maternal and newborn care, em tradução livre: Compêndio sobre Cuidado Materno e Neonatal Respeitoso.

Um dos principais pontos da publicação é o reconhecimento de que a saúde da mãe e seu estado geral não pode ser avaliado apenas com base na ausência de doenças ou complicações médicas. O guia amplia o conceito de uma maternidade saudável e considera, além dos aspectos físicos, as condições mentais, sociais e estruturais que afetam a vida da mulher durante a gestação, o parto e o pós-parto.

A publicação traz diretrizes não apenas para o cuidado adequado com o bem-estar materno, mas também dos recém-nascidos. “O cuidado respeitoso não é apenas evitar maus-tratos — é criar condições para que a mulher e o bebê vivam o nascimento como um evento de amor, dignidade e segurança”, diz o documento.

O texto afirma ainda que “o cuidado deve ser oferecido a todas as mulheres, pessoas com gêneros diversos, recém-nascidos, parentes e familiares durante os períodos do pré-natal, nascimento e pós-parto. deve priorizar a dignidade, proteger contra violência e maus-tratos, e garantir a liberdade de tomar decisões bem informadas”.

O texto reforça que o termo “women and genderdiverse people”, mulheres e pessoas de gênero diverso, inclui indivíduos com a capacidade reprodutiva de engravidar e dar à luz, ou seja, mulheres cisgênero, pessoas transgênero, não-binárias, gênero fluido, interssexuais e com inconformidade de gênero.

Outro ponto fundamental reforça que o cuidado respeitoso não pode ser considerado um luxo, como ainda é em muitos países, estando disponível apenas para quem pode pagar por ele, mas sim um direito humano, equiparado a medicamentos e procedimentos médicos.

Entre as diretrizes que garantem o cuidado respeitoso da maternidade e dos recém-nascidos estão:

  • A mãe deve ser tratada com dignidade, empatia e privacidade;
  • Deve receber informações claras e ter direito à decisão compartilhada;
  • Deve ter sua autonomia preservada em todas as etapas;
  • Tem o direito de escolher seu acompanhante e viver o nascimento com apoio e segurança;
  • Deve permanecer com o bebê, estimulando o contato pele a pele e o aleitamento na primeira hora de vida.
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A importância da publicação

É a partir desse tipo de publicação e diretriz que os órgãos de saúde ao redor do mundo baseiam suas políticas e tudo que envolve o cuidado com a maternidade. A maioria das políticas públicas voltadas para a saúde materna e reprodutiva são focadas nos problemas de saúde que afetam as gestantes, como a mortalidade e diagnósticos de doenças complicações.

Dessa maneira, as gestantes e puérperas que sobrevivem ao parto sem intercorrências e tem uma gravidez livre de complicações, são consideradas saudáveis e sem necessidades de maiores cuidados. A esperança, é que com a definição mais abrangente do que configura o bem-estar materno, aspectos como exaustão, falta de suporte, violência e abandono durante a gestação no pós-parto e até mesmo a ocorrência de violência obstétrica, também sejam observados e considerados no cuidado com essas pacientes.

 

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