Neurocirurgiões indicam hábito diário que ajuda a proteger o cérebro
Estudos mostram que malhar diariamente reduz risco de AVC e melhora memória, humor e saúde cerebral ao longo da vida
atualizado
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Malhar diariamente vai muito além da estética ou do condicionamento físico. Evidências científicas recentes e especialistas em neurologia reforçam que o movimento é um dos principais aliados do cérebro, ajudando a prevenir doenças neurológicas, reduzir hospitalizações e preservar funções como memória, concentração e raciocínio ao longo dos anos.
Entenda
- Exercício protege o cérebro: melhora circulação, oxigenação e saúde dos neurônios.
- Reduz risco de doenças neurológicas, como AVC, Alzheimer e Parkinson.
- Beneficia mente e corpo: atua contra diabetes, hipertensão e inflamações.
- Regularidade é essencial: 30 a 40 minutos por dia já trazem resultados.

Exercício físico como pilar da saúde neurológica
Um estudo recente publicado na JAMA, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, reforçou algo que a medicina já observa há décadas: a atividade física regular é fundamental para a prevenção de diversas doenças crônicas e para a saúde global do organismo.
Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, o exercício atua diretamente na redução de fatores de risco como diabetes, hipertensão, obesidade e colesterol elevado. “Ao diminuir esses fatores, conseguimos reduzir a incidência de AVC e infarto, que hoje estão entre as principais causas de mortalidade no mundo”, explica.
Além disso, a prática regular melhora o sono, reduz processos inflamatórios, beneficia o sistema cardiovascular e pulmonar e diminui significativamente as taxas de hospitalização por diversas doenças.
Movimento é alimento para o cérebro
Para o neurocirurgião Renato Chaves, pensar em atividade física apenas como algo voltado ao corpo é um erro. “O cérebro é um órgão que depende diretamente do movimento para funcionar bem. Quando a pessoa se movimenta todos os dias, ela está literalmente alimentando o cérebro”, afirma.
A atividade física diária melhora a circulação sanguínea cerebral, aumenta a oxigenação e estimula substâncias que mantêm os neurônios ativos e protegidos. Esse processo ajuda a reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo da vida.

Memória, humor e prevenção de doenças
Os benefícios neurológicos vão além da prevenção. O exercício estimula a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, responsáveis pela sensação de bem-estar e pela proteção contra depressão e ansiedade. Também favorece a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de criar novas conexões, essencial para aprendizado e memória.
De acordo com Renato Chaves, a prática regular ajuda, sim, a prevenir doenças como Alzheimer, Parkinson e AVC. “O exercício reduz inflamações, melhora o controle da pressão arterial, da glicose e do colesterol, fatores diretamente ligados ao risco dessas doenças”, explica.
Qual exercício fazer e por quanto tempo
A recomendação é combinar atividades aeróbicas — como caminhada, corrida, bicicleta ou natação — com exercícios que desafiem coordenação, força e equilíbrio, como musculação, dança ou esportes. Ainda assim, os especialistas reforçam que qualquer movimento regular já traz benefícios.
“De 30 a 40 minutos por dia são suficientes para obter efeitos importantes. Não precisa ser intenso todos os dias; a regularidade é mais importante do que a intensidade”, orienta Chaves.
Sedentarismo: um risco silencioso
A ausência de atividade física está associada a maior risco de perda de memória, lentificação do raciocínio, alterações de humor e envelhecimento cerebral precoce. Com o tempo, o cérebro se torna menos estimulado, menos irrigado e mais vulnerável a doenças neurológicas.
Por isso, os especialistas são categóricos: com orientação adequada, pessoas sedentárias e mais velhas podem — e devem — se movimentar diariamente. “O exercício é um verdadeiro remédio natural para o cérebro, sem efeitos colaterais quando bem orientado”, conclui Renato Chaves.
























