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Mulher remove costelas para ter “cintura de vespa”; médico faz alerta

Criadora de conteúdo afirma ter afinado a cintura com cirurgia extrema e gerou críticas ao relatar uso das próprias costelas

atualizado

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TikTok/Reprodução
montagem com fotos colorida de mulher que tirou as costelas
1 de 1 montagem com fotos colorida de mulher que tirou as costelas - Foto: TikTok/Reprodução

Uma influenciadora francesa com milhões de seguidores nas redes sociais provocou repercussão internacional ao afirmar que removeu parte das próprias costelas para reduzir a cintura. O caso ganhou ainda mais atenção após a criadora de conteúdo dizer que teria preparado um caldo com os ossos retirados na cirurgia, levantando alertas de especialistas sobre riscos graves à saúde.

Entenda

  • Influenciadora diz ter retirado costelas para alcançar “cintura de vespa”;
  • Vídeos nas redes sociais mostraram o resultado da cirurgia e uma encenação polêmica;
  • Especialistas alertam para riscos médicos e alta taxa de complicações;
  • Debate reacende discussão sobre limites éticos e padrões estéticos extremos.

Assista ao vídeo

@adee.ah Only one did you hear? #truestory #reels #comedy #trending ♬ original sound – Adea

Cirurgia extrema e repercussão nas redes

Conhecida pelo nome de usuário @adee.ah, Adee Ah tem cerca de 1,7 milhão de seguidores e chamou atenção ao relatar que se submeteu a um procedimento cirúrgico raro e invasivo para afinar drasticamente a cintura. Segundo a influenciadora, o objetivo era alcançar o que descreve como uma “cintura de vespa”.

A polêmica ganhou força após a publicação de vídeos no TikTok em que ela exibe o resultado da cirurgia. Em uma das gravações, Adee Ah encena o preparo de um caldo com costelas que afirma serem suas, retiradas durante o procedimento. No vídeo, ela aquece os ossos em uma panela e prova o líquido, comentando: “Tem gosto de frango!”.

O que dizem os especialistas

Do ponto de vista médico, segundo Tárik Nassif, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as costelas têm uma função muito importante na sustentação da parede torácica, dando estabilidade ao tórax.

“Elas protegem órgãos como o coração e os pulmões, além dos órgãos do abdômen superior, como fígado, baço, estômago e rins. Também auxiliam na respiração, por conterem cartilagens flexíveis que se expandem e se retraem. São justamente essas costelas (a décima primeira e a décima segunda), chamadas de flutuantes, que são removidas ou fraturadas, dependendo da técnica.”

No Brasil, a técnica mais utilizada é o remodelamento costal. Essa técnica não remove as costelas, sendo um procedimento menos invasivo. O remodelamento consiste na fratura da costela para proporcionar o afinamento da cintura.

Vídeo da influenciadora preparando o caldo de ossos:

@adee.ah My bone broth recipe! #fyp #comedy #cooking ♬ original sound – Adea

Riscos à saúde e restrições legais

Segundo o cirurgião, a remoção dessas estruturas pode causar complicações graves, como infecções, dificuldades respiratórias e danos permanentes ao organismo. “Entre as complicações podemos citar também assimetria da cintura, consolidação óssea inadequada, instabilidade torácica e dor crônica.”

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica recomenda cautela em relação a esses procedimentos, que ainda têm caráter experimental. “Apesar disso, o método começa a ganhar espaço e apresenta potencial de crescimento no país”, afirma o especialista.

O médico também faz um alerta sobre o caldo de ossos mencionado pela influenciadora. Segundo ele, a prática não é recomendada devido a riscos sanitários, como o transporte de material cirúrgico, armazenamento inadequado e possibilidade de contaminação. No Brasil, esse tipo de conduta não é comum e tampouco indicada por profissionais de saúde.

Debate sobre influência e responsabilidade

O episódio reacendeu discussões sobre padrões estéticos extremos e a influência de criadores de conteúdo sobre públicos jovens. Especialistas em saúde e comportamento digital reforçam que intervenções médicas desse porte não devem ser tratadas como espetáculo ou tendência, sobretudo quando divulgadas sem contexto clínico adequado ou alertas claros sobre os riscos envolvidos.

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