Mulher decide incluir abortos espontâneos no currículo; veja o motivo
Para a mulher, ainda existe uma estranha cultura de silêncio e vergonha em torno do aborto, o que a levou a refletir sobre o tema

Raina Brands, professora universitária em Londres, na Inglaterra, sofreu abortos espontâneos recorrentes no início da sua carreira. Segundo a docente, as pessoas esperavam que ela continuasse sua rotina normalmente, ministrando aulas e atendendo alunos. No entanto, as perdas a impactaram emocional e fisicamente, levando-a a incluir essa experiência em seu currículo como forma de dar visibilidade ao tema.

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Ver todas“Quando conto às pessoas que incluí abortos espontâneos no meu currículo, elas ficam inicialmente chocadas. Um currículo não é uma autobiografia, eu entendo isso. Se um dos pais morre, você pode simplesmente chegar ao trabalho e enviar um e-mail informando que houve um falecimento na família”, contou à revista Newsweek.
Para ela, quando se trata de perda gestacional, há uma estranha cultura de silêncio e vergonha em torno do assunto. “Essa falta de apoio não foi acidental — estava intrínseca ao sistema. Os locais de trabalho por onde passei foram projetados pensando em corpos masculinos, não em corpos que menstruam, sofrem abortos espontâneos ou dão à luz.”

“Reflexo do apoio que não recebi”
Segundo ela, o currículo mostraria uma lacuna na produtividade que poderia facilmente ser interpretada como uma falha pessoal, mas essa não era a verdade: tratava-se de um reflexo da falta de apoio que recebeu durante aquele período.
“De todas as áreas afetadas, a mais significativa foi minha capacidade de produzir pesquisas rigorosas, pois fui dominada pela dor. Passei horas do meu dia chorando, o que não contribui para ter a mente preparada para a pesquisa, que exige criatividade, foco e concentração.”
Segundo a professora, ao incluir abortos espontâneos no currículo, ela permite que qualquer pessoa que o leia trace uma linha clara entre essa experiência e a queda na sua produtividade.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & Estilo“O que estou tentando fazer é destacar os sistemas por trás dessas experiências — as estruturas e regras que moldam o que é, e o que não é, possível para as mulheres dentro delas. Não se trata de desencorajar ninguém de agir, mas, sim, de compreender a estrutura em que operamos e como ela pode limitar as escolhas disponíveis para nós”, finaliza.



