Médica e atleta revelam como se preparar para uma ultramaratona
As ultramaratonas são provas de corrida que ultrapassam os 42 km, podendo chegar a mais de 100 km; saiba mais
atualizado
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Que a corrida é um esporte cheio de fãs você provavelmente já sabe. Os grupos de corrida já se tornaram espaço para flerte, reunião de amigos e até comemorações de aniversários. Após muitas horas de treino, é natural que as pessoas começem a se inscrever em provas, dos 5 km, 10 km, meia maratona (21 km) e claro, uma maratona tradicional de 42 km. Mas, afinal, qual o próximo passo depois de cruzar essa linha de chegada?
Nos últimos anos, as provas de ultramaratona têm ganhado destaque entre os apaixonados por corrida. Elas atraem atletas em busca de superação e experiências que vão além do asfalto. Na prática, uma ultramaratona é qualquer corrida que ultrapasse os 42 km — e pode chegar facilmente a 100 km, 200 km ou até mais.

As distâncias não são o único desafio: o terreno e as condições climáticas também fazem parte do teste de resistência. Há provas em desertos, florestas, montanhas e trilhas que exigem tanto do corpo quanto da mente.
A atleta e influenciadora Bruna Ianhez é uma das pessoas que se aventura na modalidade. Recentemente, ela correu 108km em Paraty e chamou atenção nas redes sociais por mostrar a intensidade da prova, que dura mais de 24 horas, e toda a preparação física e mental, iniciada nove meses antes da largada.

Ao Metrópoles, Bruna explicou que, apesar da preparação exclusivamente para a prova ter durado nove meses, precisou de muitos anos de trabalho com a corrida para se sentir pronta para o desafio.
“Eu passei dois anos acompanhando pessoas correrem essa prova, a distância mais longa, e era um sonho meu”, conta Bruna. “A parte mais difícil foi o trecho noturno, de subida íngreme e mata fechada durante a madrugada. Foram 20 quilômetros que pareciam intermináveis.”
Ela explica que o maior desafio foi lidar com o desgaste acumulado: “Depois dos 85 km, o tempo não passava. Eu já estava com mais de 20 horas de prova e ainda faltava um longo trecho com bastante descida”, relembra.

O corpo cobra seu preço pelo cansaço extremo. Bruna relatou que terminou a ultramaratona com bolhas, ferimentos e chegou a perder unhas. “A maior dificuldade ali foram meus pés, que estavam extremamente sensíveis porque entramos em rio, molhamos, e o tempo de prova foi deixando-os muito doloridos.”
O segredo, segundo especialistas, está na cabeça. Esthela Oliveira, nutróloga e médica do esporte, explica que, em provas como essa, o preparo mental é determinante.
“A ultramaratona é tão mental quanto física. A mente é o que sustenta o corpo quando ele já está no modo exaustão total. O preparo psicológico ajuda na gestão da dor, do medo e do desconforto. É o que faz a diferença entre continuar ou desistir”, assegura.

Por isso, a médica destaca que a preparação envolve muito mais que treino físico. Técnicas como meditação, respiração consciente e visualização positiva são ferramentas usadas para fortalecer a mente. “Treinar em condições adversas, como calor, frio ou à noite, também ajuda a desenvolver resiliência mental”, destaca a especialista.
Após cruzar a linha de chegada, o corpo ainda precisa de cuidados. Alimentação equilibrada, hidratação, sono reparador e descanso ativo são fundamentais para a recuperação. “Durante o sono, o corpo repara tudo o que foi desequilibrado durante o dia”, explica.
Os riscos, na visão da expert, englobam desde lesões por sobrecarga até desidratação, desequilíbrios eletrolíticos e fadiga extrema. A prevenção se dá ao focar em uma progressão gradual nos treinos, bem como investir em fortalecimento muscular e acompanhamento médico constante.

Esthela também reforça que é necessário escutar o corpo: “O corpo sempre avisa. Uma dor que não melhora com aquecimento ou alongamento, inchaço e cansaço anormal são alertas de que algo está errado.”
Mais do que uma competição, a ultramaratona representa um rito de passagem para quem corre: é um encontro com os próprios limites — e, muitas vezes, com uma força que o atleta nem sabia que tinha.
