Birra de criança pode ser sinal de transtorno psiquiátrico. Entenda
Comportamentos característicos do desenvolvimento infantil, quando exacerbados, podem representar um quadro de TOD

Ter acessos de raiva, afrontar pais e professores, gritar, chorar ou espernear quando são contrariados são algumas atitudes esperadas na infância. Reflexo do desenvolvimento infantil, a chamada “birra” representa um dos maiores desafios do crescimento, que se traduz em aprender a lidar com os próprios sentimentos.
Contudo, para um grupo de crianças, essa expressão intensa das emoções, que se manifesta de forma mais frequente e exacerbada, pode ser um sinal do chamado Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). O problema, que atinge entre 2% a 16% das crianças em idade escolar, causa sofrimento e dificuldade para os envolvidos, uma vez que afeta drasticamente as relações familiares e a vida em sociedade.
É possível manter o quadro sob controle, desde que ele seja identificado e acompanhado da maneira correta. De acordo com Layla Campagnaro, psiquiatra do Centro de Saúde da Mulher do Hospital e Maternidade Pro Matre, em São Paulo (SP), em entrevista ao portal UOL, o TOD é caracterizado por padrões persistentes de comportamento negativista, desobediente e hostil diante dos pais ou pessoas de autoridade.
A lista de sinais também inclui reações desequilibradas e desproporcionais a certos acontecimentos, nas quais se sobressai a impaciência. “Baixa autoestima e irritação excessiva também fazem parte do quadro”, completa a especialista.
“São crianças provocativas e intempestivas, com dificuldade de controle emocional, que se indispõem facilmente com os outros e não se responsabilizam por falhas de comportamento nem aceitam explicações lógicas”, diz Deborah Moss, neuropsicóloga especialista em comportamento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento pela USP (Universidade de São Paulo).
Por conta dos sinais que podem ser apresentados por qualquer criança em situações de estresse ou cansaço, o diagnóstico é mais complexo. No entanto, há um padrão. Uma criança com TOD irá exibir sintomas com mais frequência que outras, demonstrar dificuldades comportamentais e problemas na escola e para fazer amizades.
Embasado no DSM, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o reconhecimento médico precoce do TOD é imprescindível para que o problema passe a ser administrado e a criança ou adolescente ganhe mais qualidade de vida.








