Inverno não melhora cirurgia plástica, mas facilita a recuperação
Clima frio reduz inchaço, facilita o uso de malhas e ajuda a esconder cicatrizes do sol, atraindo mais pacientes na estação

Com a chegada das baixas temperaturas, cirurgiões plásticos de todo o Brasil registram uma forte alta na procura por procedimentos estéticos em seus consultórios devido à busca de pacientes por um pós-operatório mais confortável e seguro antes do verão. Embora muitos acreditem que o frio interfira diretamente no sucesso do procedimento, especialistas explicam que a estação não altera a qualidade técnica final, servindo, na verdade, como uma facilitadora prática para o repouso e para a proteção da pele contra a radiação solar.
Entenda
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Mito da cicatrização: a velocidade do processo regenerativo é puramente biológica e individual, não sendo acelerada pelas baixas temperaturas.
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Proteção solar eficiente: o inverno reduz drasticamente o risco de manchas escuras e permanentes, pois os raios UV estão menos intensos.
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Conforto facial: procedimentos no rosto, como o lifting e a rinoplastia, têm o inchaço e os curativos muito mais toleráveis no frio.
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Uso de malhas cirúrgicas: a tolerância aos modeladores compressivos corporais é amplamente superior sem o calor e o suor do verão.

Marcelo Rudy, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS), ressalta que o inverno não transforma a técnica médica em si. De acordo com o especialista, o grande benefício reside no bem-estar do paciente. Fatores sazonais como o menor suor, a diminuição da retenção de líquidos e a coincidência com as férias escolares do meio do ano ajudam significativamente no cumprimento rigoroso de todas as recomendações médicas após a operação.
No que tange aos procedimentos corporais mais invasivos — como a abdominoplastia, a lipoaspiração tradicional e a lipo HD —, o inverno consagra-se como o período ideal por viabilizar o uso prolongado de malhas cirúrgicas sem o incômodo térmico. Além disso, o cirurgião pontua que o planejamento cronológico é perfeito para quem visa os meses de calor extremo. Como essas intervenções exigem de três a seis meses para o amadurecimento dos tecidos e eliminação completa dos edemas, operar no frio garante resultados consolidados e prontos para serem exibidos no verão.

Paralelamente, as cirurgias faciais encontram no clima ameno um forte aliado devido à menor incidência de radiação ultravioleta. Marcelo Rudy adverte que cicatrizes recentes expostas ao sol sem proteção podem sofrer hiperpigmentação indesejada, tornando-se escuras e muito visíveis. No inverno, o uso natural de roupas mais fechadas e o menor tempo de exposição ao ar livre simplificam essa blindagem necessária, acelerando o desaparecimento de equimoses e edemas comuns no rosto pós-lifting ou rinoplastia.
Por fim, o cirurgião plástico alerta que as vantagens climáticas da temporada não dão margem para qualquer tipo de negligência nos cuidados pós-operatórios básicos. Independentemente do termômetro, a ingestão correta de água, a manutenção das consultas de retorno, o uso rigoroso de protetor solar e o repouso físico continuam sendo obrigatórios. O inverno atua como um facilitador do conforto humano, mas o sucesso definitivo do procedimento continua a depender da disciplina do paciente e da resposta natural do seu próprio organismo.

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