Hemorroidas: vilão não é um único alimento, mas o padrão da dieta
Especialista esclarece que a falta de fibras e a desidratação são os verdadeiros gatilhos para crises de hemorroidas e desconforto anal
atualizado
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No imaginário popular e na prática clínica, é comum que pacientes busquem um “culpado” único na dieta para o surgimento de crises hemorroidárias. No entanto, de acordo com o coloproctologista Danilo Munhóz, o problema raramente reside em um alimento específico, mas sim na qualidade do padrão alimentar mantido pelo indivíduo a longo prazo.
O impacto do esforço e da constipação
A principal causa mecânica da piora das hemorroidas é o aumento da pressão nos vasos da região anal. Segundo Munhóz, dietas ricas em alimentos ultraprocessados e refinados, que possuem baixo teor de fibras, são as grandes responsáveis por esse cenário. Esse padrão alimentar favorece a constipação, exigindo um esforço físico repetido durante a evacuação, o que resulta em inchaço dos vasos, dor e sangramento.
A baixa ingestão de líquidos potencializa esse quadro negativo. Sem a hidratação adequada, as fezes tornam-se ressecadas e de difícil eliminação, transformando o ato de ir ao banheiro em um gatilho para a inflamação local.

Agentes irritantes e desconforto
Embora não existam alimentos que causem a doença diretamente, certas substâncias funcionam como agravantes para quem já sofre com o problema. O excesso de pimenta e comidas muito condimentadas, por exemplo, não originam a hemorroida, mas podem irritar severamente a mucosa anal, aumentando a sensação de ardor após a evacuação.
Da mesma forma, o consumo de álcool e o excesso de cafeína podem intensificar a sensibilidade da região. O especialista também alerta para alimentos que desencadeiam intolerâncias individuais, como a lactose para pessoas sensíveis ou o uso exagerado de adoçantes artificiais, que podem causar diarreia e, consequentemente, inflamar ainda mais a área afetada.

A solução pelo hábito
O controle eficaz da doença hemorroidária depende de uma mudança de foco: em vez de apenas excluir um item isolado, o paciente deve construir um hábito alimentar que favoreça o trânsito intestinal.
Ajustar a dieta com mais fibras e garantir a ingestão correta de água são, muitas vezes, as intervenções mais simples e poderosas para estabilizar os sintomas. O funcionamento do intestino é um reflexo direto do que é colocado no prato, e escolhas equilibradas são fundamentais para evitar intervenções mais drásticas no futuro.
