Freira constrói primeiro condomínio do mundo exclusivo para mulheres trans

Os lares serão ocupados por mulheres entre 40 e 60 anos em situação de vulnerabilidade social

atualizado 04/09/2020 15:23

Reprodução

Promover dignidade e respeito a mulheres trans em situação de vulnerabilidade faz parte da vida da freira argentina Mónica Astorga, da Ordem dos Carmelitas Descalços, há mais de 15 anos. Recentemente, o trabalho voluntário realizado com essa população conquistou algo inédito no mundo: a construção de um condomínio exclusivo para mulheres transsexuais.

Localizado em Neuquén, maior cidade da Patagônia, na Argentina, o local foi inaugurado este mês. As 12 casas individuais do projeto estão sendo ocupadas por mulheres entre 40 e 60 anos, com ou sem companheiro. O monastério no qual Mónica trabalha é o responsável pela administração do condomínio. As informações são da agência de notícias Télam.

“Essas mulheres vivem nas trevas há muito tempo. As casas devem iluminar seus caminhos, para que a sociedade compreenda que elas também merecem viver com dignidade e respeito”, afirmou Mónica, durante a inauguração.

O condomínio é composto por um prédio de dois andares, com seis apartamentos de 40 m² em cada. Na planta dos imóveis, há uma sala, cozinha equipada, banheiro completo e quarto, além de uma varanda individual. A área externa conta com um espaço comunitário e um parque de 120 m², para lazer, horta e estacionamento.

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Mónica revelou que tirar o projeto do papel demorou cerca de três anos, desde a elaboração até a construção do espaço. O terreno foi cedido ao monastério pelo município e as obras foram feitas pelo Instituto Provincial de Habitação e Urbanismo de Neuquén (IPVU). O investimento em materiais e outros recursos foi de 27,6 milhões de pesos no total, o equivalente a mais de R$ 1,9 milhão.

A iniciativa da freira foi bem recebida internacionalmente e ganhou apoio do Papa Francisco por meio de carta, que dizia que Mónica será “recompensada por Deus” por conta de seus feitos.

“Esse tem que ser o pontapé inicial, porque se uma freira conseguiu realizar seu sonho, o governo pode fazer ainda mais”, salientou a religiosa.

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