Dermatologista alerta para os riscos de usar canela no escalda-pés
Segundo a médica dermatologista Thais Barcellos, o uso de ingredientes caseiros no escalda-pés pode não trazer os resultados esperados
atualizado
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A prática do escalda-pés traz ótimos benefícios para a saúde. De acordo com a médica dermatologista Thais Barcellos, a água (preferencialmente morna) promove vasodilatação local, melhora a circulação e ajuda a aliviar a tensão muscular e a sensação de cansaço nos pés após um dia exaustivo.
Porém, o uso de ingredientes caseiros como a canela pode não trazer os resultados esperados.
“A canela contém compostos com atividade antibacteriana e antifúngica in vitro, mas até o momento não existem estudos dermatológicos de boa qualidade mostrando que um escalda-pés com canela cure micoses, fungos das unhas ou infecções da pele”, explica a professora da pós-graduação em dermatologia Afya Itaperuna.

Embora possa apresentar efeito antipatógeno in vitro, suas concentrações podem não ser seguras quando aplicadas diretamente à pele. Além disso, a barreira cutânea dos pés é mais espessa, o que limita a penetração dos compostos.
“Vale citar que a canela possui cinamaldeído, um alérgeno de contato comum em cosméticos e perfumes. Pode causar dermatite de contato irritativa e alérgica, especialmente em peles sensíveis ou com fissuras. Em feridas abertas, rachaduras ou pele inflamada, pode piorar a reação cutânea”, alerta a dermatologista.
Precauções
A médica recomenda evitar adicionar especiarias como canela no escalda-pés, especialmente em pacientes com:
- Pele sensível, eczema ou dermatite.
- Feridas abertas ou fissuras profundas.
- Neuropatia ou risco de queimadura térmica (ex.: diabetes).
- Relatos prévios de alergia a canela.
Se incluir a canela, sempre realize um teste de contato em uma pequena área e deixe a temperatura morna. Em seguida, faça uma hidratação adequada nos pés para manter a barreira cutânea.
“O escalda-pés com água morna pode oferecer relaxamento, sensação de conforto e possivelmente reduzir odor leve devido à higiene. Porém, não há evidência clínica robusta de que a canela seja eficaz como tratamento dermatológico para infecções, micoses ou condições cutâneas específicas”, finaliza a profissional.













