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Dia da ovulação define sexo do bebê? Ginecologistas esclarecem teoria

Ginecologistas explicam por que a teoria, divulgada pelas atletas Bia e Branca Feres, não tem base científica

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foto colorida mulher gravida com adesivos de menino e menina na barriga. teoria do sexo do bebê
1 de 1 foto colorida mulher gravida com adesivos de menino e menina na barriga. teoria do sexo do bebê - Foto: adrian825/Getty Images

Um vídeo publicado pela atletas olímpicas e influenciadoras Bia e Branca Feres viralizou nas redes sociais ao sugerir, por meio de uma teoria, que é possível escolher o sexo do bebê apenas controlando o dia da relação sexual em relação à ovulação. Na legenda da publicação, as gêmeas afirmaram com entusiasmo: “E foi assim que escolhemos o meninão da Branca. Não é maluquice não hahahah isso funciona!” Assista ao vídeo.

A teoria por trás da fala vem sendo propagada desde os anos 1960 e ficou conhecida como “método Shettles”. Mas segundo as médicas ouvidas pelo Metrópoles, a ideia não tem comprovação cientifica e pode acabar gerando expectativas irreais em casais que sonham com um sexo específico para seus filhos.

montagem colorida com prints das gemeas atletas falando de teoria sobre escolha do sexo do filho
Gêmeas falando sobre a teoria da escolha do sexo do bebê de Branca

A origem da teoria: o que diz o método Shettles?

Segundo as especialistas, o chamado método Shettles propõe que haveria diferenças significativas entre os espermatozoides que carregam o cromossomo X (que originaria uma menina) e os que carregam o cromossomo Y (associado a um menino). A teoria é baseada em três premissas:

  • Espermatozoides Y: mais rápidos, mas menos resistentes;
  • Espermatozoides X: mais lentos, mas mais resistentes;
  • Relação no dia exato da ovulação aumentaria as chances de menino;
  • Relação alguns dias antes da ovulação aumentaria as chances de menina.

Apesar de parecer lógico, esse raciocínio não se sustenta diante do conhecimento atual sobre fertilidade e reprodução humana.

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A pessoa gestante precisa de acolhimento durante o pré-natal
Para conseguir engravidar, especialistas aconselham que cuidar da nutrição, dos níveis de hormônio e de estresse é fundamental
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O que diz a ciência?

Para a ginecologista Laís de Albuquerque, do Instituto Evollution, em São Paulo, a ideia de controlar o sexo do bebê com base no ciclo menstrual é mais um mito alimentado pelo desejo humano de controlar o futuro.

“Desde sempre tentamos planejar a vida e imaginar como será a nossa família. Não é surpresa que um vídeo no Instagram prometa uma solução simples. Mas a biologia é mais complexa que isso”, afirma a médica.

Laís explica que fecundação ocorre em um curto intervalo de tempo após a ovulação. Enquanto o óvulo tem viabilidade de apenas 12 a 24 horas, os espermatozoides podem sobreviver até cinco dias dentro do corpo feminino. Ou seja, o espermatozoide que fecunda o óvulo pode ter sido depositado dias antes da ovulação, o que dificulta qualquer tentativa de “programação” precisa.

“Mesmo que existam pequenas diferenças entre os espermatozoides X e Y, estudo clínicos sérios mostram que a proporção de meninos e meninas continua próxima de 50/50, independentemente do timing da relação”, afirma Albuquerque.

A ginecologista Tatianna Ribeiro, da clínica Rehgio, reforça que, embora o método tenha ganhado força décadas atrás, pesquisas mais recentes e controladas não conseguiram confirmar nenhuma eficácia.

“É verdade que espermatozoide X tem um pouco mais de DNA, porque o cromossomo é maior. Isso levou à ideia de que ele seria mais lento e resistente, enquanto o Y seria mais rápido e frágil. Mas nenhum experimento — nem in vitro, nem in vivo — conseguiu comprovar que isso influencia na determinação do sexo”, afirma.

Reprodução assistida: o único caminho eficaz

A ginecologista e obstetra Helga Marquesini, do Hospital Sírio-Libanês, é categórica: a única maneira cientificamente eficaz para escolher o sexo do bebê é por meio da reprodução assistida, como no caso do diagnóstico genético pré-implantacional (PGD), usado em clínicas de fertilidade.

“Mesmo nesses casos, a escolha só é indicada em situações médicas específicas, como prevenção de doenças ligadas ao sexo da criança. Não é uma técnica liberada para preferências pessoais”, explica.
Fotografia colorida mostrando pessoa colocando teste em frascos-Metrópoles
Um casal que deseja participar do programa de reprodução assistida espera mais de 18 meses na fila para ser atendido na rede pública do DF

Por que desmentir é importante?

Segundo as médicas ginecologistas, além de ser cientificamente infundada, a crença de que é possível escolher o sexo naturalmente pode ter consequências emocionais negativas para os pais, como frustação, sentimento de culpa ou expectativas irreais em relação ao bebê.

“Mais importante do que tentar escolher o sexo, é preparar o coração e a família para receber o bebê que vier”, afirma Laís Albuquerque.

O desejo de planejar todos os detalhes da chegada de um filho é compreensível. Mas quando se trata de biologia, nem tudo está sob nosso controle. O vídeo de Bia e Branca Feres reacende uma teoria antiga, mas que não tem respaldo na ciência moderna. Escolher o sexo do bebê pelo dia da ovulação continua sendo, até hoje, apenas um mito e não um método.

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