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Quem acompanha o mundo do design já deve ter ouvido falar de Guilherme Wentz, 30 anos. Vencedor das distinções IDEA Brasil, Brazil Design Award e do selo internacional iF Design Award, primeiro lugar no Prêmio Museu da Casa Brasileira e nomeado Rising Talent pela Maison & Objet Americas, o designer foi nomeado também “Talento em Ascensão” no primeiro Prêmio Casa Vogue de Design.

Guilherme não pretendia ser designer. O gaúcho fazia faculdade de arquitetura e caminhava para uma vida de escritórios quando se viu insatisfeito com a própria realidade. Abriu os horizontes para outros assuntos e acabou deparando-se com a profissão de forma quase aleatória. O curso era oferecido pela universidade que os amigos faziam arquitetura e moda.

“Achei algo diferente do resto. Foi um experimento que acabou durando e combina com a minha mudança de paradigmas, estilo de vida e visão do futuro”, lembra. Essa transição teve muito a ver com uma vontade de estar perto da natureza, e isso transparece nos projetos de Guilherme. Ele usa conceitos como a gravidade e a fragilidade, de forma sutil e nada caricata, para tornar o dia a dia um pouco mais leve.


Em Brasília para participar de um bate-papo na Hill House, onde seus produtos estão à venda, Guilherme afirma ser uma preocupação corriqueira da pós-história modernista buscar a natureza de alguma forma, sair da cidade de concreto e trazer esse universo para dentro. “Por aí, vem a inspiração que me levou para o design. É um exercício, mas me interessa saber como os objetos podem alterar o nosso dia a dia, sugerindo que nós podemos viver com menos. Tenho me interessado em questionar o fato de acumularmos utensílios inúteis”, conta.

Essa dúvida tornou-se inspiração para algumas mesas que acabam limitando o espaço ou móveis planejados para repousar em local aberto, onde possam ser percebidos pela fineza e delicadeza. Guilherme tenta retirar elementos desnecessários do design para encontrar uma “forma pura”. O profissional conta ter crescido em ambientes muito carregados e, talvez, esse seja um motivo “freudiano” para correr para o outro lado. “Busco encurtar o entendimento, a experiência do consumidor com o objeto. Para mim, ele fica mais interessante assim. Simplicidade é complexidade resolvida”.

O mercado de design
Como jovem designer e famoso na área — um feito, para quem começa agora a se aventurar na indústria —, um grande desafio para Guilherme ainda é o tamanho do mercado, pequeno e, por isso, acirrado. “Já chegamos concorrendo com grandes profissionais que estão aí há muito tempo”, explica. Segundo ele, teve sorte por ter começado em uma empresa grande, a Riva, onde conseguiu ser visto.

O designer pondera que o trabalho brasileiro ainda está muito preso no modernismo, e acaba se repetindo ao longo dos anos. “Estamos amarrados a um conceito que nem sempre cabe no jeito de morar contemporâneo. Outro problema são os processos, ainda artesanais e, pelo tamanho e volume do mercado, não conseguimos transportá-los para grandes indústrias”, afirma. No entanto, o cenário vem mudando. O momento é de abertura.

Em 2016, Guilherme abriu sua própria empresa. Além de ser uma oportunidade de colocar seu ponto de vista sem interferências de briefings e obrigações, foi uma chance de tentar descobrir o mercado internacional. “Queria explorar. Vivemos em um mundo cheio de câmbio de informações e eu desejava encontrar alguém do outro lado do globo que se identificasse com as minhas ideias”, conta. Deu certo. Seis meses depois do lançamento, já estava vendendo os produtos fora do Brasil. “Há uma procura por coisas novas, as oportunidades existem. Só precisamos acelerar para corresponder”, finaliza.