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Tempos de pandemia: estudo mostra os dias de maior tristeza no Brasil

Medidor analisa 10% dos tweets em uma mesma língua com amostragem aleatória por dia e os classifica de acordo com a positividade

atualizado 12/07/2020 10:30

EmojiReprodução

Os últimos meses têm sido difíceis no Brasil. O país enfrenta, em meio a uma pandemia de um novo vírus, um caos político e econômico. E, ao que parece, a nossa realidade tem nos deixado cada vez mais tristes. É o que mostra o Hedonometer, uma espécie de “felizômetro” do Twitter, que veio para provar o contrário do que acreditávamos: podemos medir a felicidade.

De acordo com os números da ferramenta, criada por matemáticos da Universidade de Vermont (EUA), analisados pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados no Metrópoles, fomos muito mais felizes nos seis primeiros meses de 2019 do que no mesmo período em 2020.

No último ano, o medidor — que analisa 10% dos tweets em uma mesma língua com amostragem aleatória por dia e os classifica de acordo com o quão positivo ou negativo elas são –, aponta que a média de felicidade do brasileiro era de 6,06. Agora, estamos em 6,03.

A queda no humor acompanhou a chegada do coronavírus no Brasil e atingiu o “fundo do poço” no dia 17 de março, a data mais triste do ano, quando o estado de São Paulo registrou a primeira morte de pessoa infectada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2).

Além disso, a demissão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e as manifestações de 31 de maio contra o Supremo Tribunal Federal (STF) também representaram dias difíceis.

Depois desse mergulho profundo, que durou quase duas semanas, os internautas deram uma leve sacudida. Além das datas comemorativas das mães (10 de maio) e dos namorados (12 de junho), a ferramenta apontou acontecimentos do fim de junho como mais felizes que tristes. Os dias subsequentes à prisão de Fabrício Queiroz e ao suposto fim de mundo previsto na série Dark, da Netflix, animaram os internautas.

Pandemia da depressão

Bem antes de o novo coronavírus surgir, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimava que, até 2020, a depressão se tornaria a doença mais incapacitante do mundo. Se a situação já era preocupante, a realidade aproximou o mundo de uma alarmante crise de saúde mental.

Um documento das Nações Unidas lançado no fim de maio pelo secretário-geral destacou a necessidade de aumentar urgentemente o investimento em serviços de saúde mental.

Pouco mais de um mês após o início da pandemia, os relatórios já indicavam um aumento nos sintomas de depressão e ansiedade em vários países. Na Etiópia, por exemplo, abril registrou de três vezes mais casos de depressão em comparação com as estimativas de antes da Covid-19.

Na China, os profissionais de saúde relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%) e, no Canadá, 47% dos profissionais de saúde relataram a necessidade de suporte psicológico.

Crianças e adolescentes também foram analisados. Pais e mães na Itália e na Espanha, dois dos epicentros da doença, relataram que seus filhos tiveram dificuldades em se concentrar, além de irritabilidade, inquietação e nervosismo.

Um outro estudo realizado entre jovens com histórico de condições de saúde mental residentes no Reino Unido observou que 32% deles concordaram que a pandemia havia piorado sua saúde mental.

 

 

 

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