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“Quem ama não agride”. Foi assim que a atriz Jeniffer Oliveira, atualmente interpretando Flora em Malhação, terminou um texto no qual conta ter sido agredida por seu então namorado, Douglas Sampaio. Junto com a declaração, a jovem, de 19 anos, postou fotos mostrando as marcas do abuso físico.

Na mesma semana, a apresentadora Sabrina Sato revelou também ter sido vítima de relacionamentos abusivos. “Tive um namorado que me ameaçava entrando na contramão na Avenida Paulista. E sóbrio. Dizia: ‘Vou acabar com a gente’. Não passo mais por isso”, comentou.

Jeniffer e Sabrina estão longe de serem as únicas lidando com o risco de violência dos parceiros. A Central de Atendimento à Mulher apurou que cerca de 86% dos depoimentos recebidos pelo número 180 são referentes a atos violentos em ambientes domésticos e familiares. Aproximadamente 37% dos denunciantes sofrem agressões todos os dias. E outro dado assustador: quase 40% das mulheres assassinadas ao redor do mundo foram vítimas de namorados e maridos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar de 80% de quem denuncia violência em relacionamentos afetivos serem mulheres, é importante ressaltar que agressões podem acontecer independentemente do gênero da vítima e de se o casal é hétero ou não. “Relacionamento abusivo é todo aquele que gera, em uma das partes envolvidas, sofrimento emocional, traumas psicológicos e/ou físicos”, explica a psicóloga Talita Rezende.

Agressões, desentendimentos constantes, humilhações, pedidos de desculpas doces após abusos, manipulações, uso de poder, sentir-se pouco valorizada, atitudes controladoras – como definir o que a parceira pode ou não vestir –, medo e insegurança recorrentes caracterizam esse tipo de relação. “Não necessariamente a vítima precisa sofrer agressões físicas”, reforça a psicóloga do Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa) Giselle Nogueira. 

Se você tem uma amiga ou alguém da família passando por isso, a sua ajuda importa e muito. “A rede de apoio é essencial para a vítima ter uma visão diferente da relação. É necessária também para a recuperação física e emocional dessa pessoa”, afirma Talita.

Esqueça a velha conversa de que em briga de marido e mulher não se mete a colher: em muitos casos, essa violência termina com grandes traumas ou com o assassinato dela.

Veja como é possível interferir:

1. Converse com a vítima sobre o relacionamento

Chame sua amiga para conversar e fale com carinho. “Pergunte se as vontades dela estão sendo atendidas e questione algumas atitudes, com frases como ‘Mas você não gostava de fazer tal coisa? Por que deixou de ir para aquele lugar?'”, aconselha Giselle.

Com essas perguntas, você pode fazer a vítima perceber que está sendo desvalorizada e se deixando de lado. “Dê exemplos de relacionamentos tóxicos, mostre a gravidade da situação dela, fale dos riscos e das consequências”, sugere Talita.

2. Dê apoio

A conversa não saiu como planejada? Não desista, a tendência é que sua amiga já esteja afastada dos outros, sentindo-se fragilizada e precisando de alguém por perto. “Geralmente, a família e os amigos notam um distanciamento por parte de quem está sofrendo com isso. Isolar a parceira e deixá-la longe de quem faz bem a ela é uma tática para dominá-la”, aponta Giselle.

3. Denuncie

Terceiros podem sim denunciar violências, incluindo as que ocorrem em um relacionamento a dois. Qualquer pessoa pode fazer um relato para o número 180 de forma anônima. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu a aplicação da Lei Maria da Penha mesmo quando a vítima não é quem faz a acusação contra o parceiro. Viu algo errado? É importantíssimo denunciar pelo telefone ou procurar uma delegacia.