Lígia Moreiras Sena: “Nossa sociedade é dominada pela violência”

A criadora da plataforma de empoderamento materno e feminino vem ao Distrito Federal para explicar princípios da “educação empática”

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Ligia/Cientista que virou mãe
1 de 1 Ligia/Cientista que virou mãe - Foto: DIVULGAÇÃO

Lígia Moreiras Sena é uma das responsáveis por ter renovado os assuntos gravidez, maternidade e cuidado com os filhos nas redes sociais. Ao tratá-los de uma maneira totalmente diferente e com muita sensibilidade no blog Cientista Que Virou Mãe, ela chamou atenção de um público amplo de mulheres que desejavam compartilhar conhecimentos, experiências e inseguranças.

O blog acabou virando uma plataforma de conteúdo que se sustenta a partir do financiamento coletivo, e, além de cientista, Lígia se transformou em autora de livro e palestrante. Bióloga, mestre em psicobiologia, doutora em ciências e em saúde coletiva e mãe de Clara, 8 anos, Lígia virá a Brasília neste sábado (16/2) para falar sobre a “educação empática” – uma maneira de criar os filhos estabelecendo vínculos positivos, atóxicos, para tornar as crianças pessoas seguras, tranquilas e respeitosas.

Você é criadora da plataforma de informação Cientista Que Virou Mãe, um espaço de empoderamento feminino e da maternidade. Como surgiu a ideia e qual é a proposta?
A plataforma surgiu em 2015, pela transformação do meu blog em um site onde diferentes mulheres – todas mães – pudessem produzir informação e serem remuneradas por isso através do financiamento coletivo de textos e de uma base de assinantes. A proposta era reunir diferentes escritoras, de temáticas diversas, unidas por valores semelhantes e pela representatividade da mulher que é mãe.

Como a ciência pode ajudar quando estamos educando nossas crianças? Como você coloca isso em prática na educação de sua filha?
O paradigma hegemônico da atualidade é o científico. Isso significa que a sociedade tem, via de regra, sido guiada por descobertas científicas sobre diferentes aspectos das nossas vidas. Não vejo a ciência como a resposta de tudo, mas certamente nos dá pistas mais seguras sobre como proceder – pelo menos até o conhecimento humano desenvolver algum outro paradigma para explicar grande parte das nossas questões. Nesse sentido, já sabemos bastante sobre desenvolvimento humano em seus múltiplos aspectos: emocionais, biológicos, físicos, sociais.

A ciência já nos mostrou, por exemplo, quais as consequências de um ambiente violento, agressivo e hostil para as crianças, quais os problemas gerados ao crescermos sendo agredidos, o que isso faz com nossa mente, nossas emoções, nossos corpos e com nossa interação com outras pessoas. Já sabemos que agredir as crianças é nocivo a curto, médio e longo prazo – como maior tendência a transtornos psicopatológicos, como depressão, ansiedade, agressividade patológica, entre outros.

Por outro lado, também já sabemos que crescer e ser cuidado em um ambiente de respeito, proteção e com condições de vida positivas contribui decisivamente para a formação de indivíduos mais saudáveis emocional e fisicamente. E também sabemos disso porque a ciência também já nos mostrou.

Como mudar isso?
A nossa sociedade ainda é muito dominada pela violência, pela agressividade, pelo ódio. Mas é um treino diário, intenso e consciente, muito necessário. Coloco isso em prática todos os dias com minha filha: na escolha das palavras que destino a ela, nas explicações sobre o mundo e a vida, na alimentação, na forma de educar, em todos os momentos e situações.

Como um ambiente agressivo influencia o desenvolvimento de uma criança?
As crianças tendem a aceitar e naturalizar o que veem os adultos fazendo. Ainda mais quando eles são afetivamente ligados a elas. Se elas veem um pai, uma mãe, um avô ou uma avó agredindo outras pessoas – moral, física ou psicologicamente –, ela aprende que é tudo bem agir assim. Logo, cresce agindo da mesma maneira.

Uma criança que cresce recebendo tapas, beliscões, xingamentos, gritos, ofensas, cresce achando que isso deve ser feito e, portanto, tende a manter esse comportamento na idade adulta – ou será necessária muita terapia e autotransformação para romper com esses padrões. Além de reproduzir esse comportamento, ela terá de lidar com o sentimento de desvalor que esse tipo de tratamento gera nela. Isso também é bastante perigoso porque faz com que a criança associe o amor à violência.

O que são a educação empática e a disciplina positiva? Como contribuem para o desenvolvimento das crianças?
Não há uma definição única para essas temáticas. Educar empaticamente significa tanto olhar para a educação da criança quanto para a sua própria, promovendo transformações positivas em si mesmo. É levar em consideração que a criança é ser em construção, dotada do direito inalienável de ser ouvida, compreendida, cuidada, protegida, considerando sempre suas emoções, suas angústias e estabelecendo uma comunicação não hierárquica. O objetivo final é a criação de laços e vínculos positivos, atóxicos, em busca de criarmos seres humanos seguros, tranquilos e respeitosos.

Oficina Da Agressão à Educação Sem Violência – com Lígia Moreiras
Neste sábado (16/2), das 14h às 18h, no Abrasco (SIA Trecho 4, Quadra 3, Lote 2000, Bloco F –cobertura). Inscrições on-line. Valores: R$ 150 (individual) ou R$ 280 (dupla). Mais informações: (61) 98404-3253

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