Feminilização: por que mulheres trans buscam pelo transplante capilar?

Cada vez mais presente na vida dos homens, a calvície é uma questão com soluções cada vez mais acessíveis para mulheres transgênero

atualizado 29/07/2022 18:27

Transplante capilar / transplante de cabelo / transexualGetty Images

Marca registrada da feminilidade, o cabelo tende a ser o cartão de visitas da mulher. Não à toa, a busca por cuidados que deixem os fios perfeitos estão sempre em alta no Google. Para mulheres trans, a importância das madeixas não seria diferente. Elas, porém, ainda precisam lidar com algo comum para quem nasce com o sexo masculino: a calvície.

Pesquisas indicam que 12% das pessoas do sexo masculino ficam calvas até os 25 anos e, aos 35 anos, 37% delas já estão carecas. “Na minha cabeça, por exemplo, calvície é coisa ‘de homem’. Não é algo feminino, então, é inadmissível que eu tenha”, relata Jade Naid, mulher transexual que passou pelo transplante capilar.

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Jade relembra que passou pelo processo transexualizador quando tinha cerca de 15 anos e que seu cabelo sempre foi de suma importância para ela. “Eu sempre amei cabelo, desde criança… Eu colocava guardanapo e amarrava a toalha na cabeça para fingir que eram minhas madeixas”.

Segundo ela, vontade de deixar o cabelo crescer existia desde criança, mas era repreendida pelo seu avô. “Para ele, homem tinha que ter cabelo curto”, conta. “Na minha transição, o momento em que eu realmente me senti mulher, foi quando eu conseguia ver meu cabelo crescendo”, conta.

“Para mim, o cabelo comprido era uma questão de afirmação de gênero. Eu só conseguia ver o meu rosto feminino se eu tivesse um cabelo comprido”, afirma.

O cabelo e a feminilidade

Difícil não associar os fios capilares às mulheres. Pretos ou loiros, lisos ou crespos, longos ou curtos… A figura da mulher está sempre atrelada às suas madeixas. “Faz parte da autoestima feminina”, elenca o médico tricologista João Gabriel Nunes.

De acordo com ele, essa reafirmação citada por Jade tem feito as mulheres trans buscarem por tratamentos que solucionem os problemas causados pela masculinidade, como a calvície: “Houve um grande aumento da busca por transplante capilar com o intuito de completar o processo feminilizador”, conta, em entrevista ao Metrópoles.

“A linha frontal da mulher é diferente da do homem. Enquanto a deles têm um formato em ‘M’, a delas possui uma linha côncava. Além disso, a maioria tem entradas e elas querem acabar com isso, fazer uma linha frontal totalmente nova”, explica.

Por anos, Jade foi fisiculturista. Ela conta que usou anabolizantes e, além disso, também passou pela hormonioterapia – tratamento necessário durante a transexualização. “Meu cabelo começou a cair e eu fiquei preocupada, parei de tomar todos os hormônios e procurei tratamentos para recuperar meu cabelo”, lembra.

Jade Naid pelo transplante capilar para evitar a calvície
Jade Naid optou pelo transplante capilar para evitar a calvície

O rosto feminino

Jade Naid detalha a relevância dos fios para sua autoestima. “[Não ter cabelo] é algo que deixa a gente muito mal. A gente se sente menos mulher por causa da calvície, a gente se olha e lembra do nosso pai, do nosso avô, do nosso tio, do senhorzinho da esquina… Não queremos ter esse problema”, ressalta.

Além dos hormônios que podem ajudar no crescimento desejado do cabelo, o transplante capilar, realizado com esse intuito, é um dos recursos explorados por essas mulheres, como fez a fisiculturista. Ainda é importante ressaltar que a busca de Jade não é única.

De acordo com o último censo realizado pela Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar [ISHRS – International Society of Hair Restoration Surgery],  37% dos profissionais que realizam esse procedimento relataram aumento por buscas parecidas com a da fisiculturista.

“As mulheres trans realizam diversos procedimentos para se sentirem melhor e se reconhecerem no próprio corpo. Isso porque as entradas laterais masculinas ou a perda de fios em outras regiões impedem a realização de penteados ou deixam um aspecto masculino que não as pertence”, salienta Nunes.

Como funciona a cirurgia?

Em conversa com o Metrópoles, o médico tricologista João Gabriel Nunes dá detalhes dessa cirurgia, além de falar sobre o custo médio do procedimento e como acontece sua recuperação.

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