Especialistas sobre cultura do cancelamento no BBB21: “Atitudes terríveis”

Psiquiatra e psicólogo falam sobre as consequências do comportamento abusivo de Karol Conká para o emocional de Lucas Penteado

atualizado 02/02/2021 19:16

Karol Conká e LucasTV Globo/Divulgação

As críticas, gritos e ofensas da cantora Karol Conká direcionados ao ator Lucas Penteado podem causar malefícios à saúde, muito mais perigosos do a tensão de um paredão do Big Brother Brasil.

De acordo com o psiquiatra Alisson Marques, a sequência de humilhações e abusos psicológicos costumam resultar em traumas emocionais que reverberam para o resto da vida.

Nessa segunda-feira (1/2), um vídeo de Conká gritando com Lucas e o proibindo de conversar enquanto ela almoçava viralizou nas redes sociais.

De acordo com o psiquiatra, o comportamento da cantora evidencia a “cultura do cancelamento” na prática, em que o objetivo é ignorar uma pessoa e apontar um erro para ela se redimir.

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Por conta de ações como as da cantora e dos outros participantes, que não se manifestam contra as humilhações, pode haver intensos prejuízos à saúde mental do “cancelado”.

Segundo o psiquiatra, a pessoa pode desenvolver problemas emocionais graves, como crises de ansiedade, de choro, de pânico. Ser humilhado constantemente e na frente de terceiros impacta negativamente a estima de alguém e pode causar depressão e a incapacidade de sentir prazer em atividades normalmente agradáveis.

“O indivíduo passa a ter sentimentos de desvalia e desamor. A vítima fica sempre em estado de alerta, com medo de ser humilhada. Dessa forma, é importante salientar que o abuso psicológico pode ser tão doido quanto a dor física”, explica Alisson.

O psicólogo Vitor Barros Rego, especialista em saúde mental da empresa Trabalho no Divã, afirma que ações em prol do cancelamento de alguém são “terríveis e desumanas” e podem disparar gatilhos emocionais em quem já vivenciou assédio moral e bullying.

No entanto, Vitor ressalta que não se deve agir com Conká da mesma maneira com que ela agiu com Penteado. “Cancelá-la ou banir suas músicas irão resolver qual problema? Pode até saciar um desejo por justiça ou de vingança, porém, a violência psicológica e seus efeitos continuarão perdurando em ciclos pelo país”, indaga.

“Sofrimento humano não pode servir para entretenimento. Se vamos cancelar, devemos buscar o cancelamento da violência e usar um santo remédio: diálogo”, completa o psicólogo.

 

 

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