Direito sistêmico: livro aborda técnica usada na solução de conflitos

Livro, escrito pela jornalista Daniela Migliari e pelo juiz Sami Storch , analisa a aplicação da técnica em casos judiciais

atualizado 15/03/2021 18:25

constelação familiarStela Woo/Metrópoles

Brigas entre pais e filhos, separações de casais, desentendimentos entre irmãos, dentre outras questões mal resolvidas podem deixar mágoas que atravessam gerações. Quando levados ao jurídico, a resolução dos conflitos costumam perdurar por anos. O cenário, porém, pode ser diferente com a aplicação do direito sistêmico, técnica criada pelo brasileiro Sami Storch para a solução de processos judiciais em que há dores e sentimentos ocultos entre as partes do processo.

A prática incorpora os princípios das constelações familiares para a mediação de conflitos levados a tribunais. A expressão direito sistêmico foi criada por Sami, em 2010, em blog homônimo, e tornou-se tema de livro escrito por ele e pela jornalista Daniela Migliari e pelo magistrado. A obra conta a história do magistrado e tem o propósito de tornar acessível a ciência da pacificação.

Por meio do teatro improvisado e sem roteiro, a técnica instiga os envolvidos a expressarem sentimentos em relação a contextos específicos. O sistema, sintetizado pelo teólogo, filósofo e psicólogo alemão Bert Hellinger, propõe a participação de pessoas não ligadas pessoalmente às partes. O resultado é o entendimento sobre a dor do outro e, consequentemente, mais empatia.

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“Quando uma das partes de conflitos em varas de família participa do evento de constelação familiar, houve conciliação em mais de 90% dos casos. Quando as duas partes estavam presentes, este índice chega a 100%”, revela Sami, sobre os processos por ele conduzidos.

De acordo com Daniela, a técnica não se limita a casos judiciais. A jornalista e escritora pontua que as leis do amor podem ser utilizadas em qualquer relação, tendo em vista que sempre haverá algum risco de conflito. “O livro não é especificamente para juízes ou para operadores de direito, é voltado a todas as pessoas que têm conflito”, acrescenta.

Atualmente, Sami é referência no assunto e tem potencializado a distribuição do conhecimento. Mais de 120 regionais da OAB, por exemplo, possuem comissões de direito sistêmico em todo o país, onde são promovidos estudos e práticas com base nesse campo do conhecimento.

A Resolução 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incentiva o uso por advogados em processos de conciliação e mediação de desavenças. “O conhecimento das ordens sistêmicas que atuam por trás dos conflitos tem facilitado, na grande maioria dos processos, que as próprias partes envolvidas se empoderem e possam encontrar a melhor solução por si mesmas, de forma pacífica e consensual”, comenta o juiz.

“A qualidade das decisões e da forma de cada juiz trabalhar também repercute na comunidade e é vista pelos tribunais que, ao analisarem os recursos, notam quando as decisões de um juiz são reformadas com muita frequência ou quando geram grande inquietação”, completa Sami.

Serviço:
Livro A Origem do Direito Sistêmico, escrito por Daniela Migliari e pelo juiz Sami Storch
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