Dia do Empreendedorismo Feminino: conheça 5 jovens empresárias do DF

Antes dos 30 anos, essas jovens empresárias são responsáveis pelos próprios negócios

atualizado 19/11/2021 12:08

Salão de beleza Que BelezaFoto: Hugo Barreto/Metrópoles

Jovem e responsável pelo próprio negócio: essa é a descrição de cinco mulheres moradoras do Distrito Federal que, antes dos 30 anos, tornaram-se empresárias, enfrentando as dores e delícias de empreender no Brasil. No Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, celebrado nesta sexta-feira (19/11), elas falam sobre preconceito e a dificuldade de conciliar os desafios da jornada feminina.

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A data foi criada em 2014 pela ONU Mulheres e tem o intuito de impulsionar e celebrar aquelas que estão à frente do próprio negócio. Mas ainda falta incentivo. De acordo com dados divulgados pelo Sebrae, referente ao ano de 2020, elas são 33% das responsáveis por empresas no país, apesar de serem as mais preparadas para o mercado – 16% mais capacitadas que eles.

 “Existe um problema cultural, as mulheres não foram criadas para serem empreendedoras”, ressalta Renata Malheiros, coordenadora do Sebrae Delas.

“Chamamos isso de vieses inconscientes baseados em estereótipos. Aquela história de ensinar a menina a cuidar da casa, cuidar do filho; e o menino a ser ambicioso, aventureiro. Se pensarmos que, em 1962, existia uma lei que dizia que o marido poderia impedir a esposa de trabalhar fora de casa, dá para identificar a raiz do problema. E 1962 foi logo ali”, relembra a especialista.

Necessidade

De acordo com o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2020, produzido pelo Sebrae, quase 55% das mulheres tornaram-se empreendedoras por não encontrarem outro meio de renda. Como foi o caso da engenheira eletricista Carolina Pereira. Sem emprego devido à pandemia causada pela Covid-19, aos 25 anos, ela abriu uma empresa de placas solares para energia renovável.

A engenheira eletricista Carolina Pereira abriu uma empresa de placas solares aos 25 anos

“Desde que me formei, passei dois anos tentando ser empregada na minha área e não consegui. Então, em 2019, resolvi fazer doces para vender. Mas logo veio a pandemia, as vendas caíram bastante e eu decidi parar. Foi quando pensei: “Por que não abrir uma empresa com o que eu sei e gosto de fazer?”

Apesar de ser formada e ter se preparado para abrir seu negócio, ela enfrenta outro problema. “Percebo que há uma relutância, principalmente de homens mais velhos, de me verem como uma profissional altamente capacitada para fazer meu trabalho. Há vezes, quando eu chego na casa do cliente, e ele fala ‘mas não tem um engenheiro que possa falar comigo?’, como seu já não fosse essa pessoa”, conta.

Profissões “masculinas”

“Até que vem crescendo muito a contribuição de mulheres na engenharia mas ainda é uma área que os homens dominam e existe um certo preconceito”, analisa a engenheira CEO da Slim Energia Renovável. O mesmo problema também é relatado pela arquiteta Maria Araújo que, aos 25 anos, abriu o próprio escritório de arquitetura.

Expositora na CASACOR Brasília 2021, Maria Araújo abriu o próprio escritório de arquitetura aos 25 anos

“Por mais que tenhamos muitas mulheres arquitetas, nosso meio é muito masculino. A maioria dos engenheiros, mestres de obras e pedreiros são homens e, nesses ambientes, fica nítido a necessidade da gente se impor com maior constância”, disse Maria ao Metrópoles. 

Segundo ela, é preciso mostrar, o tempo todo, a própria capacidade. “Nem que seja por meio do nosso intelecto, bater de frente com um engenheiro e mestres de obras, explicar porque nossa maneira é mais fácil… Percebemos que essa imposição só é necessária por causa dessa barreira do sexo.” 

Espaço Gourmet, CASACOR Brasília 2021

Aos 25 anos, Maria Araújo é formada desde 2019 e fundou o Maria Araújo Arquitetura em 2020. Atualmente, seu escritório é responsável pelo ambiente Espaço Gourmet na CASACOR Brasília 2021, evento considerado a maior mostra arquitetônica das Américas. 

Racismo

Ser uma mulher nova em um ramo masculino não foi o único problema enfrentado por Carol Borges. A produtora e DJ conta que “sofreu dobrado” por ser negra. “Vivo num país racista e machista e esses preconceitos são frequentes, mesmo que venham por atitudes ‘pequenas’ ou ‘inocentes'”, conta.

Aos 31 anos, Carol Borges está, desde os 26 anos, no ramo dos negócios

Sócia do Birosca do Conic e do Chicão, Carol afirma que segue na luta e “me impondo nos mais diversos ambientes”. “Seja como empresária, seja como coordenadora de montagem, uma função tida como “masculina” no meio, vou sempre dando meu recado e assim me fazendo reconhecer e ser respeitada em todas as áreas que círculo.”

Empreendedorismo e a maternidade

A jornada dupla de trabalho também é um dificultador para quem busca o ramo do empreendedorismo. Ainda de acordo com a pesquisa do Sebrae, as mulheres empresárias se dedicam 17% menos a empresa do que os homens. “Esse dado não mostra que elas trabalham menos, mas que precisam se dividir entre mais tarefas”, ressalta Renata Malheiros.

“Elas precisam cuidar da casa, fazer comida, cuidar dos filhos… Tarefas que, normalmente, não são designadas aos homens empreendedores”, salienta. “Outro aspecto que recai sobre elas é a culpa materna. A mulher que dedica mais tempo ao trabalho do que ao filhos, se sente culpada por isso quando, na verdade, ela só está sobrecarregada com tarefas que deveriam ser divididas com o parceiro e com sua rede de apoio”, ressalta.

Esse sentimento foi um dos relatos da corretora de imóveis Júlia Mendes. Mãe aos 17 anos, ela conta que sempre se dedicou ao filho e que ele foi a maior motivação na realização de seu sonho: abrir a própria mobiliária. “Às vezes, me sinto culpada por trabalhar tanto. Mas, ao mesmo tempo, se eu não construir nosso futuro, como é que vai ser lá na frente?”.

Aos 21 anos, Júlia Mendes foi mãe aos 17 e abriu a própria imobiliária aos 21

“Tive que me tornar alguém não só por mim, mas para o meu filho também. Ele nunca foi um atraso na minha vida, pelo contrário, sempre foi um incentivo. Todas as vezes que pensei em ser frágil, eu pensava nele e isso me dava 10 vezes mais força para seguir em frente”, avalia Júlia.

Aos 21 anos, a empresária conta que se destacou no ramo quando ainda era estagiária. “Fiz muitos contatos e isso me ajudou bastante quando eu percebi que poderia seguir meu próprio caminho”, ressalta. A CEO da S.Prime ainda destaca a importância da sua rede de apoio: “Minha mãe e meu noivo foram primordiais nas minhas decisões, principalmente nos meus estudos”, pondera.

Rede de apoio

Aventureiras e inovadoras no ramo, elas podem acabar se perdendo no caminho pela falta de apoio e ajuda necessária. “Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Estatísticas e Geografia (IBGE), as mulheres gastam ou investem, em comparação com os homens, mais do que o dobro do tempo em atividades ligadas a fazeres domésticos, educação dos filhos e cuidados com as pessoas”, alerta a especialista em empreendedorismo Juliana Guimarães.

“Entendendo que a tripla jornada, a falta de investimento, o preconceito e o machismo estrutural são os principais desafios das mulheres, a estruturação de uma rede de apoio, é imprescindível tanto para diminuir o impacto dessa tripla jornada, quanto para o bem da mulher como individuo, para as famílias e seus negócios”, ressalta Guimarães.

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Esse apoio foi o diferencial para o sucesso do Uh Uh Uh Que Beleza, salão de beleza localizado no coração de Brasília. Fundado por Bruna Carone, 29, Julia Roseo, 29, e Marina Pinheiro, 28, as três são mães e, para seguirem com o sonho do negócio, encontraram essa rede dentro da sociedade que construíram.

“Nós nos apoiamos, a gente se entende e isso é que é legal. Uma oferece ajuda para ficar com a minha filha quando eu não posso e, quando eu posso, ofereço essa ajuda”, disse Julia. Além da rede de apoio que criaram para que o projeto desse certo, as três também encontram motivação na maternidade.

Salão de beleza Que Beleza
Bruna e Julia, sócias do Uh Uh Uh Que Beleza

“A gente faz tudo por eles [os filhos]. Seria mais fácil desistir, até porque tivemos que fechar pouco tempo depois que abrimos, divido à pandemia. Mas nos inovamos, pensamos, contamos com o apoio dos nossos clientes e seguimos em frente. Esse ano, mesmo depois do tempo fechado, nós voltamos mais fortes e crescendo”, disseram.

O salão acabou de completar dois anos, mas começou apenas com uma loja para fazer serviços de pintura de unha. Hoje, são três lojas com, além das nail art, serviços para o cabelo e um bar com drinks exclusivos.

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