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Fazer tatuagens e colocar piercings em lugares mais reservados ou até mesmo íntimos ainda são tabus nos estabelecimentos especializados. Algumas mulheres tendem a procurar por artistas do mesmo sexo como uma tentativa de se sentirem mais à vontade, mas essa busca nem sempre é fácil. Este ano, Brasília ganha seu primeiro estúdio de tatuagem e piercing com equipe 100% feminina. Sete mulheres se uniram com um objetivo em comum: oferecer sororidade no Sphynx Tattoo & Piercing.

A proposta é da empresária Luiza Lenzi, 25 anos, body piercer e idealizadora do projeto, localizado na 315 da Asa Norte. “Sempre sonhei com um espaço só de mulheres, onde não existisse discriminação pelos tatuadores e nem assédio. A oportunidade surgiu em dezembro”, recorda satisfeita.

Vinicius Santa Rosa / Metrópoles

Luiza Lenzi

Apesar de não se restringir ao público feminino, o estúdio Sphynx Tattoo & Piercing já conta com clientela formada majoritariamente por mulheres que buscavam por um ambiente distante de qualquer machismo e possibilidade de assédio. Luiza atua como body piercer do local, ao lado das tatuadoras Bruna Seabra, Isabela Burn, Yasmin Borges, Beatriz Araújo, Keth Leite e Fabi Barros.

Os clientes costumam surpreender-se quando descobrem a proposta do espaço. Janaína Fernandes, 45 anos, é frequentadora cativa e diz que sentiu os contrastes em relação aos estúdios tradicionais desde o primeiro atendimento. Ela se lembra de uma situação recente na qual a sensibilidade feminina fez a diferença. “Estava fazendo um piercing no estúdio da Luiza e, tão logo ela percebeu que eu estava sentindo muita dor, parou ao meu lado e segurou a minha mão para tentar me acalmar. Isso não aconteceria se eu estivesse em um local só com homens”, ressalta.

Assédio e preconceito dentro dos estúdios
Antes mesmo de trabalhar no ramo, a body piercer passou pela experiência de tatuar a costela. “Os tatuadores da cidade são muito profissionais, mas a gente sempre fica sabendo de histórias e vai ficando receosa de levantar a blusa para fazer uma tatuagem, por exemplo”, lembra.

O preconceito, principalmente de tatuadores com mais experiência, é um problema real nos estúdios. Luiza lembra que, em seu início na profissão, há quatro anos, frequentemente não era levada a sério pelos colegas de profissão e ouvia observações pejorativas quando uma tatuadora publicava uma fotografia pessoal nas redes sociais. “É comum o comentário de que a profissional só tem clientes no estúdio porque é bonita ou posta fotos de si mesma”, recorda.