Alerta! Caso de criança intoxicada por slime não é isolado

Garota ficou à beira da morte após produzir a geleca caseira. Nas redes sociais, diversos pais relataram situações semelhantes

Reprodução/Instagram

atualizado 24/10/2019 16:36

O caso da brasiliense de 8 anos que quase foi a óbito por produzir slime em casa não é isolado. Após escrever um desabafo emocionante nas redes sociais, a mãe da garota, Thamires Ximenes, recebeu diversos comentários de pais que enfrentaram situações similares, mas em menor grau de periculosidade. Segundo os internautas, seus filhos também esboçaram reações alérgicas após o contato com o brinquedo.

“Ocorreu o mesmo com o nosso filho, mas em menor proporção. Ele brincou com slime espalhando pelo corpo inteiro e três dias depois estava com as mesmas manchas de sua filha. A princípio, imaginamos se tratar de uma intoxicação alimentar, mas o médico não conseguiu identificar a causa da alergia. Somente ontem, ao ver sua postagem, a ficha caiu”, declarou uma internauta. “Meu filho teve os mesmos sintomas! […] Nunca pensei que fosse isso! Foi parar no hospital duas vezes, e achamos que era virose”, desabafou outra.

Em entrevista ao Metrópoles, Thamires disse que se surpreendeu com a repercussão do post. “O médico da minha pequena contou que atende muitos casos de alergias parecidas pelo uso do slime, mas eu não esperava receber tantos desabafos. Torço para que a minha mensagem e a de outras pessoas que contribuíram sirvam de alerta”, declarou a influenciadora digital. A publicação, até o momento, tem mais de 5 mil comentários.

 

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Alerta

A médica Andréa Kasmim, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, revela que muitas receitas caseiras de slime têm água boricada [usada pela pequena brasiliense para produzir a geleca], bicarbonato de sódio e bórax, composto químico usado em inseticidas, produtos de limpeza e medicamentos.

“A manipulação da água boricada e do ácido bórico é muito perigosa porque pode intoxicar a criança e provocar até queimaduras de segundo grau, especialmente em locais mais sensíveis, como a parte interna da perna”, ressalta a pediatra.

Andréa salienta que não existe uma dose mínima dos ingredientes para tornar a brincadeira nociva. Pontua ainda que não adianta os pais fazerem a massa para as crianças brincarem: “O problema não está em fazer, está em manipular, devido à absorção cutânea”.

Mesmo as slimes feitas com ingredientes considerados menos tóxicos podem trazer riscos para os mais novos. Os pequenos podem levar o produto à boca ou coçar os olhos e nariz com a mão suja, provocando intoxicação de mucosa por ingestão, ardência e vermelhidão nos olhos. Nesse caso, o certo a se fazer é lavar com água corrente; caso não melhore, a criança deve ser levada a um pronto-socorro.

O componente com maior potencial nocivo, porém, é o bórax. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive, lançou em maio deste ano um comunicado alertando a população sobre o uso dessa substância.

A agência lembra que o químico faz parte da receita de vários produtos, como fertilizantes, insumos de limpeza e até medicamentos. Porém, se for inalado ou ingerido, pode causar intoxicação. “A substância bórax, também conhecida como borato de sódio, vem sendo utilizada e vendida de forma inadequada como ativador de slime”, diz a nota.

O órgão avisa que a substância não deve ser manipulada por crianças. Em caso de intoxicação, podem ocorrer náuseas, vômitos, diarreia, dor de estômago, erupções cutâneas, depressão do sistema nervoso central, convulsões e febre.

Em caso de intoxicação, a orientação é não provocar vômito, não ingerir água, leite ou qualquer outro líquido e entrar em contato com o Centro de Informações Toxicológicas do seu estado (telefones aqui) para mais informações de como proceder.

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