Você não precisa correr para se vacinar contra a febre amarela

Casos da doença em Minas Gerais geraram correria aos postos de saúde em todo o país. Especialistas garantem que pânico é injustificado

atualizado

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ALEX DE JESUS/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO
SURTO DA FEBRE AMARELA EM MINAS
1 de 1 SURTO DA FEBRE AMARELA EM MINAS - Foto: ALEX DE JESUS/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

A febre amarela não costumava tirar o sono de muitos brasileiros desde 1942, quando foi registrado o último caso urbano da doença no país. Isso até a última semana, quando notícias sobre um surto em andamento em Minas Gerais e algumas cidades do interior de São Paulo e Espírito Santo tomaram o noticiário. Até agora, oito mortes foram confirmadas. Só o estado de MG tem 184 casos em investigação.

O ressurgimento da doença, transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya, deixou em pânico a população. Em Belo Horizonte, postos de saúde que aplicavam não mais que 10 doses da vacina por dia chegaram a aplicar 200. O estado já pediu mais 2 milhões de doses ao governo.

Até agora, o DF não registrou um único caso. Mesmo assim, Olga Maíra Rodrigues, gerente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, diz que funcionários relataram que postos que viviam às moscas chegaram a ter fila nos últimos dias. Na maioria dos casos, sem necessidade.

“Quando a pessoa chegava para se vacinar, o cartão de vacina estava completo. A diferença do veneno para o medicamento é a dose. Com a vacina, é igual. A vacina da febre amarela é feita com o vírus atenuado e por isso só é aplicada na dose e na faixa etária adequadas. Queremos que as pessoas saibam que só vamos vacinar aquelas que realmente precisam da vacina”, explicou a especialista.

Ao contrário dos estados afetados pelo surto, o DF é considerado zona endêmica e, por isso, tem recomendação da vacina independentemente de campanhas. Em 2015, 181.051 doses da vacina foram aplicadas no Distrito Federal, com cobertura de 95% dos bebês menores de 1 ano. Em 2016, foram 191.200, quase 10 mil a mais.

“O DF tem uma cobertura tranquila em relação à febre amarela, mesmo comparado a outras áreas do Brasil onde também é recomendada a imunização de toda a população, como aqui”, tranquilizou Olga.

Ao jornal o Estado de S. Paulo, a bióloga pesquisadora da Fiocruz Márcia Chame aventou a hipótese de que a tragédia de Mariana de 2015 pudesse ter relação com surto, já que a maioria dos casos são em cidades próximas ao Rio Doce, afetado pelo rompimento da Barragem de Fundão. A assessoria de imprensa, no entanto, diz que a Fundação não confirma a ligação, mas não se posicionou oficialmente.

Cheque sua carteira de vacinação
O surto atual de febre amarela é chamado “silvestre” porque os casos registrados aconteceram em áreas rurais. De acordo com Isabella Balallai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a doença é considerada grave e tem uma taxa de mortalidade alta – entre 20% e 30% dos pacientes vão a óbito.

No entanto, ela avisa: não há motivo para pânico. “A vacinação é prevenção. Não deve ser feita de urgência. E aí você vê pessoas que vivem em zonas onde não há recomendação da vacina correndo para o posto. Vai acabar faltando para quem precisa”, argumenta Balallai.

No Brasil, a vacina está disponível o ano inteiro em toda a rede pública de saúde. A primeira dose deve ser aplicada aos 9 meses de vida e um reforço aos 4 anos de idade. Para maiores de 5 anos que nunca tomaram a vacina, a recomendação é de duas doses, com 10 anos de intervalo entre elas. Outros reforços não são mais necessários.

“Hoje sabe-se que com duas doses o indivíduo está protegido para o resto da vida. A Organização Mundial da Saúde recomenda dose única. Mas o Brasil é cauteloso, e manteve duas”, justifica.

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